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Gordura Marrom e Obesidade

gordura_marrom_obesidadeO Tecido adiposo é dividido em dois tipos, o tecido adiposo branco (comumente encontrado em indivíduos adultos) que representa a nossa maior reserva energética e o tecido adiposo marrom (encontrado principalmente em humanos recém-nascido e alguns animais). A célula adiposa marrom é caracterizada pela presença de várias gotículas lipídicas citoplasmáticas de diferentes tamanhos e apresenta um grande número de mitocôndrias que, por não possuírem o complexo enzimático necessário para a síntese de ATP, utilizam a energia liberada pela oxidação de metabólitos, principalmente ácidos graxos, para gerar calor.

Este tecido “queima” a gordura e libera a sua energia em forma de calor aquecendo o organismo do bebê, pois como os recém-nascidos não tem a capacidade de controlar a temperatura através de tremores (calafrios) eles utilizam esta via. No início dos anos 70, surgiram algumas experiências em roedores que demonstraram que ratos submetidos a dietas hipercalóricas apresentavam hipertrofia e aumento de função do tecido adiposo marrom. Este mecanismo, denominado por termogênese induzida pela dieta, funcionaria como aparente adaptação fisiológica para tentar restringir o aumento de peso.

O Tecido adiposo marrom está presente em roedores ao longo da vida. Já em humanos, é encontrado principalmente em lactentes e crianças jovens, para os quais tem sido considerado como essencial. No adultos era considerado quase inexistente e sem relevância fisiológica. A pouca presença deste tecido em humanos adultos era justificada por dois princípios simples: por um lado, o adulto apresenta uma razão superfície/volume inferior ao recém-nascido tendo por isso menor termodispersão; por outro lado, o adulto apresenta maior taxa metabólica e maior massa muscular, sendo capaz de regular eficazmente a temperatura através da termogênese por tremores.

Estudos recentes mostram a presença deste tecido em adultos humanos e evidenciam a sua relação inversa com o sobrepeso e obesidade, ou seja, os autores mostram que indivíduos mais magros apresentam maior quantidade de gordura marrom e relacionam a sua presença como uma proteção contra a obesidade.

Outros estudos permitiram verificar que a estimulação do tecido adiposo marrom evitava efetivamente o aumento de peso em ratos submetidos à dieta hipercalórica. Nos ratos, o tecido adiposo marrom podia ser estimulado, não só pela ingestão alimentar excessiva, mas também pela exposição crônica ao frio, dado que a principal função deste tecido é a manutenção da temperatura corporal. Vários agonistas dos receptores β3-adrenérgicos e agonistas dos receptores da tireoide, enquanto fármacos capazes de estimular o tecido adiposo marrom mostraram-se também capazes de reduzir o aumento do peso em ratos.

Vivemos em uma época onde existe uma grande procura por estratégias para o combate à crescente epidemia da obesidade, e apesar da manipulação do tecido adiposo marrom ser ainda pouco estudada em humanos, existem evidências de sua ação. Dessa maneira a comunidade científica deve cada vez mais aprofundar seus conhecimentos a esse respeito para que possamos nos beneficiar de resultados reais e comprovados desse estímulo.

 

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