Café: mocinho ou vilão?

cafeO café é uma das bebidas mais apreciadas em todo mundo, tanto pelas suas características organolépticas, como pelo seu efeito estimulante. Estima-se que o grão de café torrado possua mais de 2000 compostos químicos alguns destes com atividades biológicas conhecidas. Dessa forma, os efeitos do consumo de café irão depender da qualidade e quantidade dos compostos químicos ingeridos, estando o consumo moderado normalmente descrito como a ingestão de 3 a 5 xícaras diárias.

A cafeína é o principal componente psicoactivo do café. Os efeitos comportamentais mais notáveis ocorrem após a ingestão de doses baixas a moderadas deste composto, observando-se uma melhoria cognitiva e psicomotora. O consumo moderado de cafeína não parece acarretar riscos para a saúde. Porém, doses elevadas podem induzir efeitos negativos tais como taquicardia, palpitações, insônia, ansiedade, tremores, dores de cabeça e náuseas. Estes efeitos indesejáveis podem manifestar-se, igualmente, em alguns indivíduos sensíveis à cafeína, mesmo sem o consumo de elevadas quantidades de café. Nestes casos, a lenta metabolização hepática desse composto poderá ser o fator responsável pela maior susceptibilidade aos seus efeitos fisiológicos.

O café possui apenas de 1 a 2,5 % de cafeína e diversas outras substâncias em maior quantidade que podem ser inclusive mais importantes do que a cafeína para o organismo humano. O grão de café verde possui além de uma grande variedade de minerais, aminoácidos, lipídeos e açúcares. O café contém também ácidos clorogênicos, responsáveis por grande parte de sua atividade antioxidante, e ainda com potencial de atividade antibacteriana, antiviral e anti-hipertensiva. Outros componentes são as melanoidinas, pigmentos marrons que se formam durante a torrefação e dão a cor característica à bebida. Vários estudos já associam a atividade antioxidante dessas substâncias à prevenção de algumas doenças, como Alzheimer e Parkinson. Porém, esses efeitos benéficos não são observados em pessoas que já desenvolveram essas doenças.

Por outro lado, devido a sua capacidade em ativar estado de alerta, a cafeína atrapalha a qualidade do sono, mesmo que não interfira no tempo deste. Estudos mostram que ela aumenta o número de despertares durante a noite.

Outro fator importante é que a cafeína compete com a vitamina C e o Ferro, podendo prejudicar a absorção desses nutrientes. O consumo de café/cafeína também pode estar associado a um ligeiro efeito negativo sobre o balanço de cálcio, equivalente a uma perda de 4 mg de cálcio por xícara de café consumida. Diversos estudos verificando a associação entre o consumo de café/cafeína ao índice de massa óssea ainda não têm resultados conclusivos. Porém é recomendado especialmente aos adultos de idade mais avançada que assegurem um consumo adequado de cálcio e vitamina D e consumam café moderadamente.

Com respeito à dependência de cafeína, ainda há controvérsias, mas algumas evidências sugerem que a sua utilização pode aumentar o uso de outras substâncias de abuso, já que vários estudos demostram que a administração dessa substância causa sensibilização a ela mesma e sensibilização cruzada com outras drogas.

Outra questão é em relação ao trato gastrointestinal. É provável que o café possa causar uma irritação direta da mucosa esofágica ou um fomento do refluxo gastresofágico. Alguns estudos mostram que em comparação com a ingestão de água, o café e o descafeinado provocam um aumento desse refluxo e estimulam também a secreção ácida estomacal. A restrição nesses casos não se justifica a todos, mas apenas aqueles que apresentam a sintomatologia após o uso dessa bebida.

Estudos revelam ainda que o exagero no consumo de cafeína pode ser um fator de risco para alterações nos níveis de pressão arterial, sobretudo se estiver em associação com outros fatores, como algumas drogas que provocam um aumento considerável de catecolaminas nas terminações nervosas e resultam em elevação dos níveis pressóricos.

Por fim, apesar de inúmeras investigações a nível químico e metabólico ainda é difícil obter evidências concretas em relação aos efeitos do consumo de café para a saúde. Existe uma variabilidade interindividual muito grande, além de variações desde as espécies, graus de torra e moagem e método de preparação da bebida. Todos esses fatores dificultam a comparação entre os estudos.  Portanto o ideal é não abusar no consumo e sempre manter uma dieta balanceada a fim de prevenir deficiências nutricionais e consequentemente o aparecimento de doenças.

 

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