Lecitina: Uma possível substância para tratamento de Esteatose Hepática

Lecitina

 

A esteatose hepática, ou simplesmente o acúmulo de gordura no fígado, pode causar inflamação e danos às células hepáticas, podendo evoluir para o quadro de esteato-hepatite quando esta situação se perdura por muito tempo.

 

Entre os fatores que podem levar ao desenvolvimento desta enfermidade encontra-se o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, a obesidade, o estresse oxidativo e a maior peroxidação lipídica. O desequilíbrio entre o consumo e remoção e a síntese de lipídios também pode levar ao acúmulo de gordura nos hepatócitos.

A lecitina é um fosfolipídio sintetizado no fígado a partir da colina, fosfatidilcolina (FC) é comumente usado como seu sinônimo. Possui ação emulsificante e atua no metabolismo de gorduras. Pode ser encontrada naturalmente na gema do ovo, feijão de soja, amendoim, espinafre e trigo. A Fosfatidilcolina está presente de maneira expressiva no transporte reverso de colesterol, no qual o colesterol é transportado pela lipoproteína HDL dos tecidos periféricos até o fígado para metabolismo e excreção. O mecanismo de atuação da FC é na esterificação do colesterol pela ação da LCAT (lecitina colesterol acil-transferase), o qual a fosfatidilcolina é doadora de grupo acil para a reação. A lecitina também é requerida para a secreção da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL), a qual participa do transporte de triglicerídeos do fígado para a corrente sanguínea.

O uso crônico de etanol reduz a síntese de PC, causando alteração no metabolismo da metionina, precursor de cisteína, que por sua vez é precursora de glutationa, um poderoso antioxidante hepático. Assim, alguns pesquisadores testaram a hipótese de que a suplementação de lecitina poderia atenuar o aumento da produção de radicais livres mediado pelo consumo excessivo de álcool, o que levaria a hepatotoxicidade e esteatose hepática.

Um estudo realizado em ratos com consumo de álcool induzido obteve sucesso ao demonstrar uma ação protetora eficaz da lecitina e vitamina E, outro potente antioxidante, na prevenção da progressão de acumulação de gordura no fígado e o estado de esteatose hepática consequente (SANCHES ET AL, 2010).

Segundo Calderon et al (2011), após realizar um estudo em ratos com suplementação de lecitina de soja de 2g/kg de peso corporal, concluiu que a utilização de lecitina de soja representa um tratamento e/ou uma prevenção alternativa para as dislipidemias, melhorando o perfil lipídico destas, principalmente quando não associadas à dieta hiperlipídica. Loguercio et al (2012) também encontrou resultados positivos após 12 meses de tratamento com humanos com esteatose hepática não alcoólica e esteato-hepatite, encontrando melhora nos níveis das transaminases, γGT, resistência à insulina, e histologia do fígado, sem aumento de peso corporal. Nesse estudo a administração de lecitina foi associada ao uso de silibina, um eficiente antioxidante comumente utilizado no tratamento de doenças hepáticas.

Esses achados mostram um papel importante da lecitina em atenuar a esteatose hepática associada a outras substâncias com essa mesma finalidade. Sua função como colaboradora para a formação de glutationa é bastante significante para o tratamento de desordens hepáticas. Ademais, lecitina pode ainda atuar melhorando o perfil lipídico do indivíduo.

 

 

Fernanda Fernanda Bacha faz parte da equipe de Nutrição da SNC de Salvador. Ela é graduanda em Nutrição pela UFBA.

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