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Niacina e exercício. Uma mistura essencial ou prejudicial?

Bicarbonato sodioNiacina, ou vitamina B3, pode estar presente tanto nos alimentos quanto nos suplementos alimentares na forma de ácido nicotínico ou nicotinamida. A niacina no organismo age como componente das coenzimas de dinucleotídeo nicotinamida adenina (NAD) e como NAD fosfato (NADP). Essas coenzimas funcionam como doadores e aceptores de hidrogênio tendo grande importância em diversas reações oxirredução dentro do corpo.

Em sua forma de coenzima a niacina desempenha funções no metabolismo proteico, na glicólise, oxidação e síntese de ácidos graxos, ciclo do ácido tricarboxílico e a cadeia de transporte de elétrons. A niacina pode ser obtida através da alimentação no seu estado pré-formado como pode também ser sintetizada no organismo a partir do aminoácido triptofano. Assim os alimentos com alto teor de niacina ou triptofano são considerados uma boa fonte. Dentre eles estão a carne, peixe, fígado, aves, nozes, feijão e grãos. A necessidade diária de niacina esta relacionada com a renovação energética. A RID para niacina é de 6,6mg/1000kcal ou 13-19mg/dia em média.

Muitos estudos têm investigado os efeitos da suplementação de ácido nicotínico no substrato disponível no músculo esquelético e cardíaco durante o esforço. Os achados foram unânimes. O ácido nicotínico bloqueava a liberação de ácidos graxos no tecido adiposo, fazendo com que essa fonte energética fosse menos utilizada durante o exercício. Como resultado disso a glicose sanguínea e o glicogênio muscular atuavam com mais ênfase na geração energética. A depleção de glicogênio era mais rápida com a suplementação do ácido nicotínico, os valores respiratórios eram mais altos e a glicose sanguínea caia mais rápido. Esses resultados mostram que o ácido nicotínico não deve ser utilizado como suplemento para atletas de endurance.

Outros estudos mostraram achados na relação entre nicotinamida e o desempenho durante o exercício. Um pesquisador conduziu uma série de experimentos utilizando cadetes tripulantes de aviões. A metodologia de exercício era basicamente anaeróbica, mas envolvia alguns esquemas de coordenação. Os participantes do estudo recebiam um placebo ou 50mg de nicotinamida durante 3 a 6 dias, ou uma dose única de 200mg, 1,5 a 3h antes do exercício. Todos os participantes que receberam o suplemento a base de nicotinamida executaram o teste significativamente mais rápido quando comparados com o grupo controle. Não foi feito antes do estudo nem um teste para avaliar o estado inicial de vitamina nos indivíduos. Entretanto outros estudiosos deram 75mg de niacina a indivíduos 2h antes do exercício e não observaram qualquer efeito da suplementação no desempenho de resistência ou alterações na pressão sanguínea. Em outro estudo foi medido a excreção de N-metil-nicotinamida, principal metabólito urinário de niacina, em 277 fisiculturistas. A excreção média era inferior aos níveis aceitáveis, a despeito do fato de que os atletas estavam ingerindo o que parecia ser a quantidade adequada da vitamina (7-9,5mg/1000kcal).

Outro estudo também foi observado decréscimo na excreção urinária de N-metil-nicotinamida, em indivíduos após os treinos e uma dieta hiperglicídica. Nesse estudo os autores não observaram aumento no desempenho endurance após dieta com alto teor de carboidrato. Eles hipotetizaram que a ingestão reduzida de niacina durante uma dieta hiperglicidica pode causar prejuízos nas vias oxidativas aeróbicas.

Estudos com animais mostraram que a excreção de ácido nicotínico na urina diminuía em ratos que eram forçados a nadar (3h/dia) durante 14 dias. Quando comparada com ratos controle com uma ingestão dietética semelhante.

Resumindo, os dados sustentando o fato de que a suplementação com ácido nicotínico prejudica a mobilização de ácidos graxos do tecido adiposo são fortes. Isso provavelmente pode afetar o desempenho de atletas de endurance. Os estudos também mostraram que o exercício físico extenuante resulta num decréscimo na excreção do metabólito da niacina. Ainda não esta claro se isso representa ou não uma maior necessidade de ingestão de niacina. Mais estudos precisam ser feitos para determinar se a suplementação de niacina antes do exercício melhora ou não o desempenho.

 

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2 comentário

Karmem Sá 8 de dezembro de 2015 at 19:14

otimo conteudo porem não está falando a fonte do estudo citado. Podem fornecer?

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Lara Cerqueira 22 de dezembro de 2015 at 14:30

Olá, Karmem. Enviamos para seu endereço eletrônico as referências solicitadas.
Ótima leitura, estamos a disposição para maiores esclarecimentos!

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