Uso de creatina por diabéticos: há contra-indicação?

CreatinaA diabetes mellitus, ou diabetes tipo II, é uma alteração fisiológica intimamente relacionada a inadequados hábitos alimentares. Caracterizada por níveis elevados de glicemia, o que se deve a um mal funcionamento do hormônio insulina apesar de sua produção ocorrer em quantidades normais. Em condições normais, a insulina promove uma série de reações químicas que visam aumentar a produção de GLUT4 – um tipo de proteína transportadora – responsável pelo transporte da glicose do sangue para as células.

Os tratamentos mais convencionais para diabetes tipo II ainda se baseiam em reeducação alimentar, prática de atividades físicas e, quando necessário, uso de medicações hipoglicemiantes. Entretanto, alguns suplementos, a exemplo da creatina, vêm sendo associados como um grande auxiliar no tratamento de diabetes. Muitos são os achados científicos que popularizam a creatina como importante suplemento no mundo esportivo, principalmente pela sua capacidade em melhorar resultados de atividades que exijam explosão e constante força muscular. Entretanto, pesquisadores já chegaram à conclusão de que este pode ser um suplemento auxiliar, não apenas para o desempenho esportivo, mas também no tratamento de diabetes tipo II, já que permitiria, segundo os resultados, uma melhoria da captação celular de glicose.

Freire e colaboradores (2008) apontam para um considerável aumento da absorção de carboidratos após suplementação de creatina. Segundo tais autores, a creatina poderia ser responsável por uma maior liberação de insulina pelo pâncreas. Entretanto, este mecanismo ainda não apresenta um embasamento fisiológico concreto. Os principais efeitos da creatina sobre o metabolismo dos carboidratos se refere a um aumento das proteínas transportadoras GLUT4 nas células, o que aumentaria a captação de glicose. Foi esse o principal efeito observado por Gualano e colaboradores (2010), quando submeteram pacientes diabéticos à suplementação de 5 gramas diárias de creatina por 12 semanas em associação com protocolo de atividades físicas. O mesmo grupo de pesquisadores não identificou qualquer efeito deletério na função renal de pacientes diabéticos, também suplementados com creatina, demonstrando uma segurança de tal suplementação neste grupo de indivíduos.

Vale ressaltar que todos os efeitos benéficos da creatina são evidentes quando associados a programas de treinamento físico. Para maior segurança, seu uso como possível auxiliar no tratamento de diabetes deve ser orientado por um profissional nutricionista, já que o uso indiscriminado ainda é um potencial risco.

 

Sidney Sidney Rangel faz parte da equipe de Nutrição da SNC de Salvador. Ele é graduando em Nutrição pela UNEB.

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