Ácido fosfatídico, síntese proteica e exercício.

ID-100111480O ácido fosfatídico é um fosfolipídio constituinte das membranas celulares, em pequena porcentagem. Representa um importante papel atuando como intermediário na síntese de triglicerídeos e outros fosfolipídios. Outro papel que vem sendo estudado é em relação à regulação da sinalização celular atuando como um segundo mensageiro. A geração de AF ocorre principalmente através da ação da fosfolipase D, pela hidrólise de fosfatidilcolina a AF. Esta enzima existe em duas isoformas (PLD1 e PLD2) que se diferem por mecanismos distintos de regulação e de distribuição celular. A PLD1 está localizada na região perinuclear e é regulada por proteínas da família das GTPases. A PLD2 está limitada à membrana plasmática e seu mecanismo de regulação ainda não está totalmente elucidado.

Existem várias correntes de estudos mostrando que o ácido fosfatídico age na regulação do mammalian target of rapamycin (mTOR), uma proteína quinase que regula vários processos celulares principalmente relacionados ao crescimento e proliferação celular.

O mTOR pode ser encontrado nas células na forma de dois complexos: mTOR complexo 1 (mTORC1) e mTOR complexo 2 (mTORC2), que distinguem–se quanto a presença da proteína raptor em MTORC1 e rictor em mTORC2. A atividade de mTORC1 é inibida na presença de rapamicina, enquanto o mTORC2 não é afetado. É importante ressaltar que a rapamicina inibe a ativação mecânica do mTOR dependente de eventos de sinalização e, consequentemente, o aumento mecanicamente induzido na taxa de síntese proteica. Assim, a ativação dessa proteína quinase é um fator determinante na regulação mecânica da síntese de proteínas e massa muscular.

Os mecanismos pelos quais o ácido fosfatídico pode estimular a ativação do mTOR ainda não estão totalmente claros, possivelmente os estímulos mecânicos induzem a um aumento na concentração deste fosfolipídio e este teria ação direta sobre o mTOR, que consequentemente atuaria fosforilando proteínas como a 4E-BP1 e a p70 S6K ribossomais, envolvidas na iniciação da síntese de proteínas. Os estudos mostram também que esse mecanismo é sensível a rapamicina, pois observou-se que a presença desta pode inibir o aumento da fosforilação da p70 S6K induzida pelo AF. Outro fator interessante é que a produção de AF, seja por PLD1 ou PLD2, pode ser suprimida por álcoois primários e já se sabe que que a ativação de mTOR é sensível a esses álcoois. Todos esses achados fortalecem a existência de uma relação direta entre AF e mTOR.  

É amplamente aceito no meio científico que a síntese de proteínas musculares está aumentada após a realização de exercícios como a musculação. Tem-se proposto que a ativação de mTORC1 pelo exercício de resistência requer a síntese de ácido fosfatídico pela enzima fosfolipase D. Esta seria uma possível explicação.

Estudos avaliando a utilizaçao de AF para aumento de massa muscular são escassos. Hoffman et al., (2012) realizaram a suplementação com 750 mg/dia e observaram um aumento de 12,7% na força de agachamento e 2,6% na massa corporal magra, enquanto os participantes que receberam um placebo mostraram uma melhora de 9,3% e 0,1% respectivamente, entretanto a diferença não apresentou significância estatística. Dessa forma, sua utilização como suplemento alimentar merece ser melhor estudada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *