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Suplementação de ATP é possível?

ATPEm organismos vivos ocorrem diversas reações químicas, que podem ser divididas em duas classes: Reações de Catabolismo, que liberam energia, através da quebra de compostos orgânicos complexos, em compostos orgânicos simples e as reações de Anabolismo, que são as que requerem energia para a construção de moléculas orgânicas complexas a partir de moléculas simples. O fornecimento de energia necessário para que ocorram as reações anabólicas, ocorrem através das moléculas de Trifosfato de Adenosina (ATP), que tem por função armazenar energia para as atividades vitais básicas das células. A estrutura da molécula de ATP consiste em três grupos fosfato e uma unidade de adenosina composta de adenina e do carboidrato ribose.

Além do seu papel bem definido no metabolismo celular e do seu produto de decomposição a adenosina, estes são necessários para diversos processos biológicos, extracelulares, através dos receptores purinérgicos encontrados na maioria dos tipos celulares, incluindo a neurotransmissão, contração muscular, função cardíaca, função plaquetária, vasodilatação, no metabolismo de glicogênio do fígado, percepção da dor reduzida. O estado lábil de ATP e do seu metabólito adenosina causa vasodilatação e hiperpolarização na árvore arteriolar resultando num aumento do fluxo sanguíneo através do tecido, o que ajuda na remoção de produtos residuais, tais como lactato, que quando em excesso no músculo, leva à fadiga muscular. Estas observações levaram à hipótese de que a suplementação dietética com ATP (e/ou adenosina) deveria ser benéfica para o exercício. No entanto, deve notar-se que é pouco provável que a molécula de ATP seja absorvida intacta em humanos e o efeito de ATP por via oral sobre o desempenho muscular é provavelmente devido a anteriormente descrita sinalização purinérgica ou através de metabolitos de ATP, tais como a adenosina.

A molécula de ATP está presente em altas concentrações numa série de alimentos (por exemplo, carne, soja, cogumelos) e no leite materno, porém estas quantidades não seriam suficientes para suprir as necessidades humanas. A partir daí, estudos começaram a buscar possíveis efeitos positivos através da suplementação. Estudos afirmam que a suplementação intravenosa é bem sucedida em pacientes com câncer de pulmão, porém possui algumas desvantagens, sendo a sua suplementação limitada a 75 -100μg/Kg/min. a fim de evitar efeitos secundários. A partir destas limitações é que surgiu a necessidade de avaliar se a suplementação oral de ATP seria benéfica.

Cápsulas contendo ATP estão atualmente registradas na França para o tratamento da dor lombar de origem muscular e suplementos contendo ATP são comercializados na internet para diversos fins, incluindo a restauração de energia. Os estudos que avaliaram os efeitos da suplementação sobre o desempenho físico ainda são poucos e os resultados bastante inconclusivos. Alguns destes estudos não observaram resultados benéficos na suplementação oral de ATP. Outros observaram aumento na concentração sanguínea de ácido úrico, um dos produtos do metabolismo do ATP, que pode ser fator de risco para gota e está associado a hipertensão arterial sistêmica. Já no estudo realizado por Jordan, et al (2004) que buscou examinar os efeitos de 14 dias de suplementação oral de ATP sobre índices de capacidade aeróbica e força muscular, concluiu-se que a suplementação de 225mg de ATP entericamente revestida, pode fornecer pequenos efeitos ergogênicos sobre a força muscular em algumas condições de tratamento. Em outro estudo, RATHMACHER, et al (2012), buscaram determinar se a suplementação de ATP melhoraria o torque muscular, potência, trabalho ou fadiga durante repetidos exercícios de resistência de alta intensidade, os autores concluíram que a suplementação com 400mg ATP/dia durante 15 dias tende a reduzir a fadiga muscular.

Os estudos que buscam os efeitos da suplementação oral de ATP ainda são escassos, e o que se pode observar é que boa parte dos efeitos esperados não são observados. Porém, percebe-se que a suplementação pode trazer pequenos efeitos ergogênicos, e redução na fadiga muscular através de mecanismos que ainda precisam ser esclarecidos, além disso, ainda não existe um consenso sobre qual dose seria realmente efetiva, sem levar a efeitos secundários indesejados. Mesmo havendo a necessidade de mais estudos que esclareçam melhor os seus benefícios, o que se pode concluir é que a suplementação ATP é possível, porém ainda não viável, devido às limitações e custo elevado.

 

Priscila Teles faz parte da equipe de Nutrição da SNC de Salvador. Ela é graduanda em Nutrição pela UFBA. 

 

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