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Trealose: um sacarídeo funcional

trealoseOs carboidratos desempenham importantes funções biológicas, sendo os principais metabólitos em processos de reserva e produção de energia.

A trealose é um dissacarídeo não redutor composto por duas moléculas de D-glicose. Ela é semelhante à maltose, outro dissacarídeo constituído por duas moléculas de glicose, mas diferem em suas ligações glicosídicas. A trealose é encontrada na natureza em microorganismos, plantas e invertebrados, mas não em humanos. Porém, os humanos possuem a trealase, enzima que hidrolisa a trealose no intestino delgado, para que esse dissacarídeo seja posteriormente absorvido e metabolizado.  A trealose tem gosto levemente doce, com aproximadamente 45% da doçura da sacarose, podendo tornar-se uma solução mais aceitável para atletas. Seus principais usos são em cosméticos e em estudos científicos, mantendo a viabilidade celular após congelamento e descongelamento e mantendo a integridade de membranas lipídicas após liofilização e reidratação. Mas também tem sido utilizada em produtos alimentares, tais como edulcorantes, que são substâncias que diferem da sacarose, no entanto possuem a capacidade de adoçar alimentos.

A trealose aumenta a glicemia após ingestão, porém não causa um pico elevado nos níveis de glicose sanguínea. Assim, a resposta à insulina também é menor que a dos açúcares comuns. Isso é provavelmente devido ao fato de que a trealose é lentamente absorvida no intestino delgado, visto que sua enzima, como relatado em alguns estudos, tem atividade 10 vezes menor do que a maltase, enzima que hidrolisa a maltose.  Então, por ser mais lentamente absorvida, não causando picos de insulina e glicose sanguínea, favorece ainda maior oxidação lipídica.

Não há pesquisas conclusivas que mostrem que a trealose tem quaisquer vantagens sobre outros hidratos de carbono para o desempenho durante o exercício, porém por ser uma fonte de carboidrato de baixo índice glicêmico, pode reduzir a hipoglicemia de rebote quando comparado com a glicose.

Em um estudo recente, a trealose foi capaz de suprimir a hipertrofia dos adipócitos, que são as células de gordura, reduzir o armazenamento de triglicerídeos e a resistência à insulina em camundongos alimentados com uma dieta rica em gordura, sendo então sugerida como um sacarídeo funcional para a proteção da Síndrome Metabólica.

Um possível efeito colateral do uso de trealose é o desconforto gastrointestinal, relatado em alguns estudos, porém isso varia entre os usuários, e é provavelmente devido à falta de trealase existente em alguns indivíduos.

 

Marina Marina Vilpert faz parte da equipe de Nutrição da SNC de Salvador. Ela é graduanda em Nutrição pela UFBA.

 

 

 

 

 

 

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