Cortisol e exercício físico

cortisolOs benefícios proporcionados pela prática de atividade física têm sido cada vez mais difundidos pela população. Tais benefícios contemplam desde melhorias na qualidade de vida do indivíduo, como forma de prevenção e tratamento de certas doenças, até mudanças no padrão estético, para aqueles que desejam emagrecer ou ganhar massa muscular. E assim, todos reconhecem que exercitar-se é essencial para a manutenção de uma boa saúde.

Após muitos estudos, notou-se que o exercício físico atua como um estímulo para a “quebra” da homeostase corporal, que significa o “equilíbrio” ou “estabilidade” do organismo. Desta forma, essa “quebra” provoca adaptações metabólicas, hormonais e neuromusculares no indivíduo, que podem ser mais significativas à medida que a atividade física é intensificada. 

O aumento da duração ou da frequência dos períodos de treinamento é uma maneira de intensificar o exercício físico, sendo que essa relação de volume e intensidade inadequada pode levar a uma situação de estresse excessivo, conhecido como overtraining, a qual não é desejável para o atleta, uma vez que provoca como sintomas básicos fadiga crônica, perda do apetite, diminuição do desempenho, infecções, distúrbios do sono, alterações de humor e o desinteresse pelo treino. 

Mas não confunda! Em períodos de treinamento, é normal que ocorram adaptações fisiológicas no corpo do atleta, em resposta à sobrecarga aplicada, o que resulta na melhoria do desempenho esportivo. Mas, quando este treinamento torna-se intenso, resulta no overtraining, que está associado a uma recuperação incompleta entre as sessões de treinamento.

Em situações como esta, é que se verificam alterações hormonais importantes, dentre elas, aumento na síntese de cortisol, cuja produção está intensificada em situações de estresse.

O cortisol, é um hormônio glicocorticóide, produzido nas glândulas suprarrenais (cerca de 10 a 20 mg diários), que afeta principalmente o metabolismo da glicose, das proteínas e dos ácidos graxos livres. Sua síntese ocorre mediante estimulação do hipotálamo por situações de estresse ou de alta carga emocional, levando à liberação do fator liberador de corticotropina, que por sua vez, induz a hipófise a liberar o ACTH ou hormônio adrenocorticotrópico. Este último promove a liberação de glicocorticóides pelo córtex suprarrenal, principalmente do cortisol.

Dentre os efeitos biológicos causados por este hormônio, pode-se citar: promove o catabolismo proteico, aumentando a disponibilidade de aminoácidos para o fígado para serem transformados em glicose através da gliconeogênese; facilita a ação do hormônio glucagon e o GH (hormônio do crescimento); atua como antagonista do hormônio insulina, inibindo assim a captação e oxidação da glicose; ativa a lipase e a consequente degração de triglicerídeos no tecido adiposo para produção de energia; promove adaptação ao estresse; auxilia na manutenção dos níveis de glicose adequados em períodos de jejum.

Alguns estudos apontam também que o cortisol pode atuar como agente anti-inflamatório, por deprimir as reações imunológicas e por aumentar a vasoconstricção provocada pela adrenalina.

Como o exercício induz o aumento da secreção de cortisol por estímulo do eixo hipotalâmico-hipofisário, há o temor de que o cortisol cause efeitos deletérios ao atleta pelo fato de este hormônio atuar como agente catabólico no músculo esquelético, levando a conversão de aminoácidos em carboidratos, aumento das enzimas proteolíticas, inibição da síntese de proteínas e aumento da degradação de proteínas. Assim, uma vez que o cortisol estimula a proteólise, seu aumento pode determinar a atrofia muscular e diminuição da força, com consequente efeito negativo no rendimento esportivo.

Embora esse aumento na secreção de cortisol provoque efeitos colaterais, o treinamento físico induz o desenvolvimento de mecanismos para a proteção dos tecidos contra os efeitos causados por este hormônio. Diversos estudos apontam para isso ao mostrar a manutenção ou diminuição dos níveis de cortisol em corredores, remadores e ciclistas, após períodos de treinamento intenso. Esta resposta protetora proprocionada pelo exercício, segundo os estudos, está relacionada com a modulação dos niveis séricos de cortisol livre (forma ativa) pela ligação à globulina ligante de cortisol e pela ativação da enzima conversora de cortisol em cortisona (forma inativa). Através disso, o organismo torna-se menos responsivo ao estresse o que promove efeitos benéficos para a saúde física e mental do atleta, protegendo-o contra as consequências do estresse crônico e de doenças relacionadas ao estresse.

Alguns suplementos nutricionais atenuam a liberação do cortisol e/ou previnem o seu efeito catabólico associado à atividade física. Estudos trazem que o uso dos aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), repositores energéticos e glutamina seriam bons suplementos para esse fim.

Vale ressaltar que isto não se aplica apenas a atletas profissionais. Indivíduos que não praticam exercícios físicos regulares e estão sujeitos a situações de alta carga emocional e estresse, estão mais vulneráveis aos danos causados pela ação catabólica do cortisol. Portanto, para aqueles que ainda não praticam, mas que pretendem iniciar alguma atividade física, o ideal é procurar um profissional de educação física habilitado, para a prescrição dos exercícios, além de um nutricionista, que através de um plano alimentar individualizado, pode proporcionar melhores resultados.

 

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