Melatonina

 

 

 

 

ID-100162375Conhecida como o ‘hormônio do sono’, a melatonina vai muito além disso. Sintetizada na glândula pineal, a N-acetil-5-metoxitriptamina é produzida pelo sistema nervoso central e age como sinalizador biológico do escuro relacionando-se com a indução do sono em espécies de atividade diurna. Além da pineal, a melatonina já foi isolada na retina, em células do trato gastrintestinal e em hemácias humanas.

A luz tem ação inibitória sobre esta glândula, onde os fotorreeceptores da retina projetam os impulsos luminosos no núcleo supraquiasmático (NSQ). Quando essa inibição cessa,  há elevação dos níveis intracelulares de AMP cíclico que induz a expressão da N-acetiltransferase (NAT) responsável pela síntese da melatonina. É derivada do triptofano, encontrado em diversos alimentos, como leite, queijos, ovos, carnes magras e peixes, oleaginosas, frutas como banana, maçã, pera, entre outras. Na presença de luz, o triptofano é convertido em serotonina, mas apenas na ausência da mesma é que ocorre a conversão da serotonina em melatonina. Distribui-se por vários tecidos corporais, não é estocada, e é capaz de atravessar as membranas celulares, inclusive a barreira hematoencefálica. Até 70% da melatonina se encontra ligada à albumina e seu metabolismo ocorre no fígado que depura 90% dos seus níveis circulantes, sendo o principal metabólito, a 6-sulfatoximelatonina excretada na urina.

Além de seu papel cronobiológico, há evidências da atuação da melatonina em diversas situações. É capaz de atuar como antioxidante, doando elétrons em processos não enzimáticos, e inibindo enzimas do citocromo P450. Também tem poder antiinflamatório, onde em estado de doença, as células que possuem receptores para melatonina estimulam a produção de interleucina-2 (IL-2) e interferongama (IFN-g). Nestes casos, há bloqueio da expressão da enzima NAT, no entanto, sua inibição é compensada pela produção local pelos macrófagos. Após a morte do agressor, esta produção cessa e a síntese hormonal através da pineal é restaurada.  

Outros autores relatam que os níveis de melatonina podem influenciar os processos fisiológicos e neoplásicos do sistema reprodutor, onde observou-se que mulheres com atividade proliferativa neoplásica têm níveis de melatonina muito abaixo do normal. Um outro estudo, avaliou a relação dose-resposta da administração da melatonina na percepção da dor, demonstrando efeito analgésico deste neuro-hormônio, relacionando à dores de cabeça, refluxo gastro-esofágico, fibromialgia e dor aguda pós-operatória. Em 2013, foi divulgado que pessoas com diabetes apresentam menores concentrações de melatonina e que, pessoas com menores concentrações de melatonina apresentam maiores riscos de aumento da glicemia de jejum e incidência de diabetes gestacional e do tipo II. Este fato se deve provavelmente à relação existente entre este hormônio e o metabolismo do carboidratos.

Associando-se à prática de atividade física, tem-se que o exercício noturno pode retardar a produção de melatonina mas isso irá depender do tempo e da intensidade da atividade. De modo geral, o exercício é recomendado para quem tem problemas para dormir pois o aumento da temperatura corporal, facilitaria o disparo do início do sono.  Além disso, com o gasto energético do exercício, o corpo teria a necessidade de sono a fim de alcançar um balanço positivo para um novo ciclo de vigília.  

Com o avanço da idade, a síntese de melatonina diminui, ocasionando diversos problemas como o aumento da fragmentação do sono. O estresse é um fator importante na produção da melatonina, pois nesta situação há normalmente mais adrenalina e cortisol, o que induz a formação de uma enzima, a triptofano pirolase, capaz de destruir o triptofano antes que este atinja a glândula pineal. Com isto, nem a  melatonina é fabricada nem a serotonina – o que pode gerar uma compulsão por carboidratos, com tendência a aumento de peso e depressão. Em suma, vários benefícios da melatonina foram evidenciadas, no entanto, essa substância não deixa de ser um hormônio e seu uso deve ser indicado pelo médico. Em excesso, alguns autores trazem, além de sonolência excessiva e fadiga, a menor produção endógena (já que está vindo de uma fonte externa) com certo tipo de dependência.

 

Mariana Mariana Castro faz parte da equipe de Nutrição da SNC de Salvador. Ela é graduanda em Nutrição pela UNEB.

Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail  nutricao@sncsalvador.com.br .

Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor.

Curta a nossa página no Facebook e não perca nenhuma notícia e/ou promoção.

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *