CAFEÍNA E HIPOHIDRATAÇÃO

cafeinaMuito já se sabe sobre o poder ergogênico da cafeína. Largamente utilizada por praticantes de atividade física, esta xantina tem a capacidade de induzir a liberação de catecolaminas, como a adrenalina, reduzir a dor muscular após o exercício, e apresentar efeito lipolítico ao mobilizar a gordura corporal, poupando o glicogênio do músculo. Muito se fala também da sua capacidade diurética com possível consequência no estado de hidratação do indivíduo; no entanto, diversos estudos trazem que seu consumo não necessariamente está associado à maior volume urinário, e menos ainda ao estado de hipohidratação.

A cafeína é um alcaloide pertencente ao grupo das metilxantinas (1,3,7- trimetilxantina), e aproximadamente 100% de sua ingestão oral é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal, atingindo seus níveis de pico no plasma, entre 30 e 120 minutos. Após a absorção, é metabolizada pelo fígado, onde acontece a remoção de alguns grupos metila através da ação do citocromo P450, levando à formação de três grupos: paraxantina (84%), teobromina (12%) e teofilina (4%), todos metabolicamente ativos. Uma pequena parcela da cafeína é eliminada sem ser absorvida pela urina. Fatores como sexo, idade, genética, alimentação, uso de algumas drogas, massa corporal, estado de hidratação e tipo de atividade física, além do hábito se se consumir a cafeína ou não,   influenciam seu metabolismo e, consequentemente, a quantidade total excretada.

O principal e mais conhecido efeito da cafeína está na atuação estimulante no sistema nervoso central (SNC). Devido a sua estrutura, esta xantina age como antagonista, bloqueando os receptores de adenosina, um neurotransmissor que ao se ligar aos receptores alfa diminui a atividade neuronal, dilata os vasos, reduz frequência cardíaca, pressão arterial e temperatura. Daí se entende o efeito estimulante desta substância. Em relação à diurese, diversos estudos trazem que a cafeína provoca um aumento no volume de urina em condições de repouso, mas que que não foi observado efeito diurético durante o exercício induzida pela ingestão de cafeína.

Seria comum pensar que a ingestão da mesma, antes do exercício, poderia levar à desidratação, pois poderia haver inibição do hormônio antidiurético (ADH) liberado no exercício. Entretanto, percebeu-se que durante a atividade física há maior liberação de catecolaminas que são capazes de induzir maior reabsorção de sódio e cloro nos túbulos renais, podendo afetar o ADH e/ou a aldosterona, resultando em conservação de água. Isso nos leva ao pensamento de que a cafeína pode realmente não ser diurética, ou melhor, que a ingestão de cafeína pode aumentar o fluxo urinário poucas horas após seu consumo, assim como a água. Tem-se que a cafeína pode sim ter leve efeito diurético, quando em repouso, mas que na prática do exercício físico não foi observado aumento urinário tão pouco situações de hipo ou desidratação.

Estudos de 2012 e 2013 avaliaram a ingestão de várias doses de cafeína em pessoas que apresentavam incontinência urinária, sendo que nenhuma associação foi relatada. Apesar de diversos consumidores relatarem que seu uso provoca aumento de diurese, os autores trazem que esse possível efeito é dose-dependente e que pode se manifestar em alguns indivíduos, ou não.  Doses acima de 300mg/dia podem induzir efeito diurético a curto prazo, com nenhum efeito significativo sobre o equilíbrio dos fluidos. Não há evidências que seu uso em climas quentes é prejudical ao indivíduo, e além disso, foi observado que o uso crônico da cafeína é um fator que reduz a diurese. 

 

MarianaC Mariana Castro faz parte da equipe de Nutrição da SNC de Salvador. Ela é graduanda em Nutrição pela UNEB.

 

 

 

 

 

 

 

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