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Glutamina e Overtraining

overtraining issuesA glutamina é o aminoácido livre mais abundante no plasma e tecido muscular, e é utilizada em altas concentrações por células de divisão rápida, incluindo enterócitos e leucócitos, para fornecer energia e favorecer a síntese de nucleotídeos. Esse aminoácido apresenta diversas funções no organismo, o que reforça o papel relevante deste aminoácido tanto em estados normais como fisiopatológicos.  

A diminuição das concentrações plasmáticas de glutamina aliada ao aumento do metabolismo deste aminoácido ocorre de modo marcante, em muitas doenças catabólicas. Estas características indicam que a classificação da glutamina de um aminoácido não essencial, para um nutriente essencial sendo assim em estados catabólicos, é necessário consumir entre 20g e 40g de glutamina por dia. A quantidade obtida da dieta é inferior a 10 g, considerando que as proteínas alimentares contêm cerca de 4% a 8 % de glutamina e a produção diária nos músculos é de 9g a 13g e aproximadamente 80% da glutamina corporal encontra-se no músculo esquelético, e esta concentração é superior 30 vezes a do plasma.

A glutamina representa um substrato essencial para diversas subclasses de células do sistema imune, incluindo neutrófilos, linfócitos e macrófagos e, desse modo, tem sido sugerido que a diminuição da glutaminemia pode contribuir para o aumento da suscetibilidade a infecções do trato respiratório superior em atletas após o exercício exaustivo, durante períodos de treinamento intenso ou em atletas com síndrome de overtraining.

O exercício prolongado acarreta também na diminuição da concentração intramuscular de glutamina. RENNIE et al. (1981) observaram uma diminuição de 34% da concentração de glutamina muscular em humanos imediatamente após uma sessão de exercício com duração de 225 minutos (50% do VO2max). Em outro estudo, ratos submetidos ao exercício de natação, com sobrecarga de 6% do peso corporal, visando impor um exercício intenso, apresentaram uma diminuição de 25% das concentrações de glutamina no músculo gastrocnêmio.

A síndrome de overtraining tem sido um fenômeno cada vez mais observado entre atletas de elite, sendo caracterizada por um excesso de treinamento capaz de promover diferentes sintomas indesejáveis, sendo a diminuição de desempenho o principal deles. Contudo, a interrupção antecipada dos períodos de recuperação, aliada ao aumento progressivo do volume ou da intensidade de treinamento, torna a rotina do atleta cada vez mais extenuante. Essa “exaustão” temporária induzida pelo excesso de treinamento tem sido denominada overreaching, uma condição facilmente recuperada em curto prazo e representa um estágio anterior à ocorrência da síndrome de overtraining.

Infelizmente, em diversos casos os atletas submetidos a essa sobrecarga de treinamento não se recuperam da maneira planejada e passam a apresentar os sintomas da síndrome de overtraining, tais como fadiga generalizada, depressão, apatia, dores musculares e articulares, infecções do trato respiratório superior e diminuição de apetite, dentre outros.

Estudos sugerem que a diminuição da concentração de glutamina pode acompanhar ou preceder à síndrome de overtraining em atletas é possível que a diminuição da glutaminemia e os sintomas relacionados à síndrome de overtraining possam ser explicados pelo estado catabólico relacionado à inflamação sistêmica.

Com isso uma estratégia é a suplementação de glutamina em atletas após exercícios exaustivos ou durante períodos de treinamento intenso para exercer efeitos benéficos sobre o sistema imune, músculo esquelético e regulação do metabolismo de carboidratos já que diversos autores têm sugerido que a concentração de glutamina plasmática possa representar um marcador bioquímico da síndrome do overtraining. Porém mais estudos são necessários para avaliar a eficácia da suplementação em atletas com a síndrome.

 

AnaClaudia Ana Claudia faz parte da equipe de Nutrição da SNC de Salvador. Ela é graduanda em Nutrição pela São Salvador.

 

 

 

 

 

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