Os dois lados da Frutose

FrutoseA frutose é um monossacarídeo, que pode ser chamado também de levulose. Carboidrato quimicamente semelhante à glicose, com seis átomos de carbono, porém uma importante diferença, em relação à indução da insulina, pois a frutose não a induz, por não ter transportadores beta-pancreáticos para o estímulo desta. A fonte de frutose mais conhecida são as frutas, mas também pode ser encontrada em vegetais, tanto na forma livre quanto na sacarose (dissacarídeo composto de glicose e frutose), a inulina também contém frutose e desde década de 70 outra fonte de frutose surgiu, e esta cada vez mais comercializada e consumida, que é o xarope de milho, presente em alguns alimentos industrializados.

A partir, justamente desta última fonte que surgiram mais e mais estudos sobre o metabolismo da frutose associado à alteração do perfil lipídico e por isso hoje em dia muitas vezes associam a frutose ao aumento de peso. Para entender melhor o mecanismo de ação da frutose é necessário entender um pouco do metabolismo desta.

A frutose pode ser absorvida no intestino por dois mecanismos, um dependente de glicose e outro por difusão facilitada através da GLUT5, após a  absorção, sai pela membrana basolateral do intestino e através do GLUT2 chega ao fígado. No fígado a frutose sofre fosforilação principalmente no carbono 6, através da frutoquinase, gerando frutose 6 fosfato, essa através da aldolase gera duas trioses, que são também intermediários da via glicolítica, a diidroxiacetona e gliceraldeído fosfato. A partir daí este carboidrato pode seguir três vias: formar glicose ou glicogênio; seguir a via glicolítica e gerar ATP ou formar glicerol gerando triglicérides. A via que a frutose vai seguir depende da quantidade ingerida e da necessidade do organismo.

Por não haver autoregulação na via da frutose, quanto maior consumo, maior fosforilação e geração das trioses, se a demanda energética tiver suprida a tendência é gerar glicerol formando mais triglicérides, além disso por esta hexose não estimular a insulina há menor saciedade, pois a insulina além de ser um hormônio que induz a saciedade, atua em outros hormônios que controlam o binômio: fome-saciedade. Como na frutose não há indução deste hormônio a indução da saciedade fica comprometida. Lembrando que a fonte ofertada neste momento faz diferença, os estudos relacionando a frutose com o aumento de triglicérides e ganho de peso utilizam principalmente o xarope de milho como fonte, pois frutas e vegetais que também são fontes de frutose contém outros nutrientes, como fibras, minerais e vitaminas, que podem alterar  o metabolismo deste carboidrato.

Não só de malefícios a frutose vive, além de estar presente em frutas e vegetais que são importantes fontes de nutrientes, estudos mostram a utilização da frutose juntamente com a sacarose no exercício físico prolongado, pois além da frutose prover menor desconforto abdominal quando comparada com a glicose estudos mostram que a frutose pode melhorar a performance, pois em um exercício prolongado pode haver saturação dos transportadores da glicose (alguns estudos mostram que 1,0g/min de glicose é o máximo), como a frutose utiliza outro transportador pode ser uma fonte de energia neste momento de saturação, contribuindo assim para a continuidade do exercício.

É imprescindível, nisso tudo, saber a fonte, o objetivo e a necessidade corpórea, antes de classificar a frutose apenas como vilã. O importante é o equilíbrio e neste caso a individualidade, por isso procure sempre um nutricionista. 

 

NaiaNaia Ferreira faz parte da equipe de Nutrição da SNC de Salvador. Ela é graduanda em Nutrição pela UFBA.

 

 

 

 

 

 

 

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