Beta alanina ou bicarbonato de sódio?

Utilizamos três vias metabólicas para a produção de energia: a via anaeróbica alática, a via anaeróbica lática e a via aeróbica. Dependendo do tipo de exercício, intensidade e tempo uma via será mais priorizada do que a outra. Quando a via anaeróbica lática, também chamada de via glicolítica, é priorizada pode-se ter como consequência a fadiga muscular, que é a redução da capacidade de gerar quantidades apropriadas de força muscular ou de potência durante a atividade contrátil. Vários eventos ocorrem durante a contração que podem levar a fadiga, dentre esses destaco o acúmulo de metabólitos, em especial os íons de hidrogênio.

Os íons de hidrogênio são produzidos a partir da conversão de ácido lático para lactato, nesta (nesta conversão?) há liberação de um íon de hidrogênio. Se a produção for maior do que a capacidade de tamponamento do corpo, a redução do pH levará à diminuição da força muscular e diminuição da liberação de cálcio para o retículo sarcoplasmático, levando à fadiga.

A liberação de íons de hidrogênio ocorre de forma rápida, mas a redução do pH não é imediata, pois há mecanismos de tamponamentos. Dentre esses, os tampões intracelulares (como aminoácidos e dipeptídeos) e o bicarbonato de sódio serão nosso foco, pois a suplementação de beta alanina tem como objetivo produzir no músculo a carnosina, um dipeptídeo que irá tamponar os íons de hidrogênio produzidos, assim como o bicarbonato de sódio.

O dilema é que ambos tamponantes mostram resultado positivo em melhorar a performance. Normalmente usa-se 0,3g/Kg de peso corporal de bicarbonato e a quantidade de beta alanina varia entre 3,2g a 6,4g, fracionadas durante o dia, para evitar a parestesia, conhecida popularmente como “formigamento”. Contudo, alguns efeitos colaterais decorrentes da ingestão de bicarbonato de sódio são citados na literatura, como: transtornos gastrointestinais (vômito e diarreia), rupturas gástricas causadas pelo uso excessivo e, acredita-se que, o uso frequente poderia conduzir a arritmias cardíacas, irritabilidade e espasmos musculares. Mas, estudos a longo prazo precisam ser feitos para analisar a segurança no uso de bicarbonato de sódio, sendo assim, o uso da beta-alanina é mais seguro.

Naia Ferreira faz parte da equipe de nutrição da SNC Salvador

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