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Alterações metabólicas de dietas hipercalóricas

Dietas hipercalóricas são caracterizadas por um consumo energético maior que o gasto energético do indivíduo, sendo essa uma das causas mais comuns de obesidade. Por esse motivo, as dietas hipercalóricas veem sendo estudadas em modelos animais com composição semelhante as dietas ocidentais ( com grande quantidade de carboidratos e gorduras saturadas) para indução da obesidade observando-se alterações metabólicas. A hiperinsulinemia, resistência à insulina sistêmica, aumento de leptina, hiperglicemia e hipertrigliceridemia, são as alterações metabólicas mais observadas nos estudos. Estas estão associadas ao aumento de peso corporal e gordura corporal observados nos estudos a longo prazo, em função do maior aporte energético.

A resistência à insulina é caracterizada como o estado no qual o corpo necessita de maior quantidade de insulina para manter o estado normoglicêmico. A literatura mostra que o aumento na disponibilidade e utilização de ácidos graxos livres devido a maior quantidade de tecido adiposo afeta diretamente a sinalização de insulina. O tecido adiposo produz diversas substâncias como o TNF-alfa ( citocina inflamatória) que altera a função do receptor de insulina, alterando o seu estado de fosforilação. A sinalização da insulina prejudicada, interfere diretamente na captação de glicose no músculo, ocasionando uma hiperglicemia e hiperinsulinemia. Além disso, o excesso de tecido adiposo tem relação com a síntese exagerada de triglicerídeos, devido ao aumento do fluxo de ácidos graxos livres para o fígado.

A alimentação desempenha um papel importante na função da célula beta ( localizada no pâncreas e responsável pela produção de insulina). Após uma refeição rica em gordura, aumenta-se a concentração de ácidos graxos livres que são difundidos para dentro da célula beta e convertidos a acetil coa, aumentando a secreção de insulina por um mecanismo diferente. Essa exposição por períodos prologando ocasiona uma resposta diminuída da célula beta à glicose.

O aumento de leptina é outra alteração metabólica comum de dietas hipercalóricas e está relacionado com o aumento de tecido adiposo, pois a leptina é proporcional a quantidade de tecido adiposo. A leptina é responsável por controlar a ingestão de alimentos e estimular o gasto energético.

As dietas hipercalóricas também costumam ser utilizadas por atletas e praticantes de atividade física que buscam o ganho de peso e normalmente apresentam uma boa composição de macronutrientes. Estudos demonstram que as composições das dietas hipercalóricas podem influenciar as alterações metabólicas, quando estas apresentam uma melhor composição de gorduras, com prevalência de ácidos graxos poli e monoinsaturados por exemplo, há uma diminuição de lipoproteínas aterogênicas; Quando apresentam uma maior quantidade de proteínas e menor de carboidratos há um menor acúmulo de tecido adiposo corporal e maior massa magra. Além de menor concentração de lipídeos intra-hepáticos e triglicerídeos, comparando-se com uma dieta hipercalórica com normal teor de proteínas e alto de carboidratos.

Assim, as dietas hipercalóricas são uma das causas mais comuns de obesidade, mas também são utilizadas com o objetivo de ganho de peso de forma saudável e como visto, através de uma boa composição de macronutrientes pode-se minimizar possíveis alterações metabólicas.

“Este texto foi escrito por Jaqueline Almeida
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