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Antioxidantes e Exercício Físico

A formação de radicais livres ocorre de forma constante no nosso organismo. A sua principal geração se dá no processo de respiração celular. Fatores externos como a poluição ambiental, o tabaco, as drogas, o álcool, o estresse e dieta de má qualidade também podem contribuir com o aumento de radicais livres. É sabido que a produção exacerbada de radicais livres no nosso corpo está relacionada principalmente com o processo de envelhecimento.

Para combater estas moléculas, nosso organismo dispõe de substâncias que tem como principal função neutralizar a ação dos radicais livres, evitando que estas moléculas danifiquem as células. Existem dois tipos de antioxidantes. Os endógenos, ou também chamados de antioxidantes enzimáticos, são substancias que nosso próprio corpo produz: superóxido dismutase, catalase e glutationa peroxidase. E os antioxidantes exógenos, ou chamados de antioxidantes não enzimáticos, encontramos na nossa alimentação, são eles: vitamina E, vitamina C, flavonoides, caroteno, licopeno, entre outras.

Uma das principais consequências do treinamento físico seja ele de endurance ou musculação é de estimular vias de sinalização para gerar adaptações fisiológicas ao exercício. Essas adaptações são benéficas e podem trazer benefícios como: biogênese mitocondrial, aumento das fibras musculares, melhora da oxidação lipídica, aumento do VO2, entre outros. Um dos principais responsáveis em gerar essas adaptações são os radicais livres. Em quantidade moderada, a interação destas moléculas com as células auxiliam diretamente no processo de adaptação celular.

Há algum tempo, discute-se a suplementação com altas doses de antioxidantes nos períodos próximos ao treinamento físico. Estudos demonstraram recentemente que a suplementação com altas doses de antioxidantes pode interferir na sinalização celular induzida pelo exercício nas fibras musculares. Desse modo essa mudança na sinalização celular podem potencialmente enfraquecer ou atrasar essas adaptações.

Em um estudo com 54 jovens, realizando exercícios de endurance durante 11 semanas e utilizando 1000mg de vitamina C mais 235mg de Vitamina E, divididos em dois momentos (2 horas antes do treino e 2 horas após), os autores descobriram que os principais marcadores de biogênese mitocondrial como CDC42, MAPK1 e PGC-1α foram mais baixos no grupo que suplementou os antioxidantes quando comparado ao grupo placebo, evidenciando uma sinalização para adaptação prejudicada nestes indivíduos. Em outro estudo, a utilização de 1000mg de vitamina C, durante 8 semanas foi capaz de reduzir a expressão induzida por exercício dos principais fatores de transcrição envolvidos na biogênese mitocondrial.

De modo geral, a suplementação nos momentos próximos ao treino pode prejudicar o processo de adaptação do indivíduo. Desse modo, é importante analisar o nível e o tipo de treinamento do indivíduo, o estado do mesmo, a quantidade de antioxidantes na dieta, além de outros parâmetros que podem influenciar no processo adaptativo para que a suplementação seja feita de forma correta.

Este texto foi escrito por Rafael Fildes Almeida que faz parte da equipe de nutrição da SNC-Salvador. Ele é graduando em Nutrição pela UFBA.

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