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D- ribose

D-ribose é uma ocorrência natural de hidratos de carbono de 5 carbonos que é sintetizado pelo corpo, mas também está disponível em pequenas quantidades na dieta através de frutas e vegetais maduros. Nos últimos anos tem sido comercializado como auxílio ergogênico (Qualquer técnica de treinamento, prática nutricional, método farmacológico, que podem melhorar a capacidade de desempenho do exercício) para atletas que participem em atividades de alta intensidade.
O ATP (adenosina trifosfato) é a moeda de troca de energia no nosso corpo e apresenta estrutura química formada por uma base nitrogenada (adenina),  três fosfatos e a ribose. Logo, a ribose é essencial para síntese de ATP.
Durante repetidas e intensas contrações musculares ocorre diminuição da chegada de oxigênio no músculo (hipóxia muscular). Assim, o corpo tenta suprir a demanda energética a partir de vias metabólicas anaeróbicas por meio do catabolismo de compostos de fosfato altamente energéticos como o ATP. Porém, esses compostos energéticos disponibilizados não são suficientes para suprir a demanda de energia para realização das contrações por períodos muito prolongados, visto que os produtos de degradação do ATP (purinas) são perdidos para corrente sanguínea, dificultando a ressíntese de ATP. Além disso, o processo de ressíntese não é tão rápido, devido a limitações de algumas enzimas essenciais para esse processo.
Com base nisso, sugere-se que a suplementação de ribose poderia possibilitar um caminho para uma resposta metabólica e para a ressíntese de adenina nucleotídeos, de forma direta e rápida, visto que a ribose suplementada não necessita da ação de enzimas chaves para ressíntese de ATP (glicose-6-fosfato e a 6-fosfogluconato desidrogenase).
Nessa lógica, acredita-se que a suplementação de ribose aumentaria a ressíntese de ATP auxiliando o desempenho físico. Porém, a maioria dos estudos que avaliaram a suplementação de ribose para  esta finalidade, não foram bem sucedidos, de forma que até o momento com as metodologias utilizadas, parece que a suplementação de ribose não auxilia no desempenho anaeróbico.
Já em outras aplicações o uso da ribose foi bastante positivo. A suplementação de ribose em indivíduos com Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) melhorou a qualidade de vida, tolerância ao exercício e função diastólica. Isso porque no coração de pacientes com ICC há um declínio constante de ATP celular, do total de nucleotídeos de adenina. Dessa forma, preservar o ATP, tem sido uma estratégia para manter as concentrações de ATP no miocárdio assim como suas funções. Outra aplicação bem sucedida foi em, pacientes com fibromialgia e fadiga crônica. Essas doenças são caracterizadas por fadiga severa persistente, dor migratória difusa, disfunção cognitiva e distúrbios no sono, estes sintomas por sua vez estão relacionados com diminuição dos níveis de ATP evidenciados nesses indivíduos. Assim, a suplementação de ribose melhorou significativamente  parâmetros como nível de energia, clareza mental, dor e bem estar em pacientes com fibrolialgia e fadiga crônica.
Por fim, a suplementação de ribose demonstrou-se efetiva para diminuição de estresse oxidativo, visto que na ressíntese de ATP a partir da ribose, tem-se a formação de um importante antioxidante, a glutationa reduzida.
Em relação a dosagem recomendada, há uma variação nos estudos, sendo que até 200 mg/ kg é absorvido 80 a 100% da ribose. Alguns fabricantes indicam utilizar a saturação de ribose com 10g, contudo não há nenhuma evidência a esse respeito.
Dessa forma, suplementação de ribose como recurso ergogênico para melhoria de desempenho em atividades anaeróbicas não se mostra eficaz. Entretanto, sua utilização para outros fins como coadjuvante no tratamento de doenças cardiovasculares, fibromialgia e no estresse oxidativo parece ser benéfico, e possivelmente seu uso para estes fins pode ser indicado.

“Este texto foi escrito por Jaqueline Almeida

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2 comentário

Liliane 3 de setembro de 2015 at 12:17

Parabéns, Jaqueline! Você poderia me disponibilizar os artigos/estudos científicos utilizando a ribose para fins terapêuticos como citado :ICC, fibromialgia. Aguardo.Obrigada!

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Jaqueline Almeida 11 de setembro de 2015 at 13:50

Muito obrigada Liliane! Continue acompanhando nosso site que sempre temos novidades! Enviei os artigos pro seu email, beijos!

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