Efeitos colaterais do óleo de cártamo

O  óleo de cártamo se popularizou devido a sua proposta de auxiliar na melhora da composição corporal  através  da indução do emagrecimento, por diferentes vias metabólicas, e pelo aumento da massa magra.  Com o aumento da popularidade, aumentaram-se os estudos e, consequentemente foram observados efeitos colaterais do uso do óleo de cártamo, ou seja, efeitos indesejados do uso do suplemento.

O Cártamo, (Carthamus Tinctorius L) é composto por ácidos graxos saturados palmítico, e esteárico e, em maior parte, os ácidos insaturados oleico (ômega-9), linolênico (ômega-3) e Ácido Linoleico Conjugado (CLA) que é uma mistura de isômeros do ácido linoleico (ômega-6) e difere deste por apresentar duplas ligações conjugadas (cis-9, trans-11 e trans-10, cis-12 isômeros) que podem estar disponível na forma de triglicerídeos ou de ácidos graxos livres. O CLA é o componente do óleo de cártamo mais atuante no processo de emagrecimento.

Dentre os possíveis efeitos colaterais, podemos citar estresse oxidativo, alteração nas atividades hepáticas, do perfil lipídico e no metabolismo da glicose, e distúrbios gastrointestinais. A molécula do CLA, por apresentar duplas ligações conjugadas, possui uma propensão à sofrer oxidação e, a partir daí, gerar uma cadeia de processo oxidativo com produção de radicais livres em vários sistemas. Para mensurar este fenômeno, são medidas substâncias marcadoras de peroxidação lipídica por dosagem sorológica ou de urina. Já a alteração nas atividades hepáticas podem ser observadas pelo aumento das enzimas Aspartato Aminotransferase (AST) e Alanina Aminotransferase (ALT) e pelo aumento da deposição de gordura no fígado devido à alta mobilização de ácidos graxos livres pela ação do CLA e diminuição do metabolismo destes, levando ao acúmulo de lipídeos e, consequentemente, causando esteatose hepática. Estudos também apontam um aumento da insulina sérica quando há suplementação de CLA, sugerindo resistência à insulina. Isto pode ser explicado pela alta disponibilidade de ácidos graxos livres a serem metabolizados, levando ao bloqueio do metabolismo da insulina para evitar a entrada da glicose na célula, priorizando a β –oxidação (metabolismo doa lipídios para obtenção de energia). Todos estes efeitos foram observados em estudos de curta duração, sem padronização da dose e do protocolo de aplicação.
O perfil lipídico é dado a partir de testes feitos da coleta de sangue e determina o risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Nesses testes são determinados o níveis séricos de HDLc (Hight Density Lipoprotein Cholesterol), chamado de bom colesterol e de LDLc (Low Density Lipoprotein Cholesterol), chamado de mau colesterol. O LDLc é o mais circulante no sangue e pode, aos poucos ir se acumulando na parede dos vasos sanguíneos, criando placas de ateroma e desencadeando arteroesclerose. Altos níveis de LDLc e baixos níveis de HDLc estão associados com o aumento de doenças cardiovasculares. Estudos de longa duração perceberam uma redução nos níveis de HDLc quando suplementado o CLA na forma de triglicerídeo e aumento do LDL quando suplementados na forma de ácidos graxos livres. Porém, o mecanismo deste efeito não foi elucidado. Em estudos longos também foram observados distúrbios gastrointestinais, tais como: náuseas, diarreia, dor e distenção abdominal e cefaleia.
O óleo de cártamo deve ser evitado por pessoas diabéticas e hepatopatas como já que existem evidências, mesmo que a curto prazo, de que há alteração no metabolismo da glicose e das funções hepáticas. Porém, a maior parte dos estudos foi feita de forma aguda, o que não nos garante se tais efeitos são pontuais ou duradouros. Portanto, faz-se necessário mais investigações de longa duração com análise de segurança da dose e padronização de protocolo para que estes possíveis efeitos sejam melhores explicados e compreendidos na aplicabilidade do suplemento.

 

Este texto foi escrito por Juliana Miranda
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