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Caseína e inflamação

O leite  de vaca possui inúmeras qualidades, estabelecendo-se como um dos alimentos  mais apreciados para consumo e para a indústria, o leite é uma excelente fonte de proteínas de alto valor biológico, ou seja tem uma ótima proporção de aminoácidos essenciais e não essenciais, sendo constituído principalmente por 80% de caseína e 20% de proteínas do soro, essa proporção pode se apresentar diferente em razão a raça dos animais, da ração fornecida, do país de origem, do período da lactação do animal, da faixa etária e da sazonalidade. Além da caseína e da proteína do soro, o leite possui outros componentes como enzimas e fatores de crescimento, proteínas das membranas dos glóbulos de gordura, gorduras e carboidratos (lactose).

A caseína é a principal proteína extraída do leite, caracterizada por ser uma proteína micelar, sendo dividida em quatro grupos α, β, κ e γ. Internamente a micela da caseína se constitui de α e β caseína, ao passo que a κ está localizada preferencialmente na superfície da micela. A suplementação da caseína desempenha diversos benefícios como a manutenção da aminocidemia e a promoção da saciedade.

A inflamação é a resposta do organismo humano as agressões, ela pode ser desencadeada por infecções microbianas diversas, substancias químicas, tecidos necróticos ou reações imunes. As características ou objetivos principais da inflamação é conter e isolar a lesão, destruir os microrganismos invasores e inativar toxinas, além de preparar o tecido para o reparo. A inflamação é um mecanismo de defesa do organismo, mesmo assim pode acarretar efeitos danosos  para o corpo, por reações de hipersensibilidade potencialmente fatais, ou por lesionar algum órgão de forma permanente e progressiva.

As citocinas são polipeptídios ou glicoproteínas produzidas por diversas células no local da lesão ou por células imunes sistêmicas, podendo atenuar ou potencializar a resposta inflamatória. Após a lesão há um pico de fator necrose tumoral (TNF), e subsequente aumento das interleucinas (IL-1) e (IL-6), sendo estes importantes mediadores pós trauma. O TNF e a IL-1 são produzidos pelos macrófagos, e a IL-6 é produzida em resposta a liberação de IL-1 e TNF.

Na mídia vem se disseminando em inúmeros blogs, portais, canais, sites e redes sociais uma aversão desmedida aos suplementos de caseína, relacionando-os a fatores inflamatórios, por este modo uma analise desse potencial inflamatório, descrito e não explicado, se faz necessário.

As alergias alimentares podem ser importantes intercessores para diversas inflamações como otite , dermatite, rinite , sinusite, bronquite e amigdalite. O leite de vaca é relacionado constantemente com processos alérgicos por diversos mecanismos imunológicos mediados por IgE ou não, diferente do que ocorre na intolerância a lactose secundária à deficiência da lactase. A β-lactoglobulina (uma proteína do soro do leite) já foi considerada o principal alérgeno do leite de vaca por não estar presente naturalmente no leite humano, hoje  a caseína também tem demostrado um papel importante na alergia a proteína do leite de vaca. O IgE para caseína em nível muito alto tem sido relacionado a maior persistência do quadro clínico e sintomas mais agravados que a alergia as proteínas do soro do leite. Na perspectiva das alergias as proteínas do leite, a caseína desempenharia uma atividade pró-inflamatória.

Em diversos trabalhos na literatura cientifica é possível observar que a suplementação da caseína em grupos com dietas hiperlipídicas demostrou uma diminuição da inflamação crônica relacionada a obesidade. Foi possível também observar um efeito anti-inflamatório local no tecido adiposo através da inibição da acumulação de macrófagos pró-inflamatórios, da diminuição da citocina pró-inflamatória IL-6 e da expressão de MCP-1, um fator quimiotáctico de monócitos ou macrófagos.  Estas reduções desempenham um papel essencial na estabilização da inflamação do tecido adiposo. Outros efeitos da suplementação de caseína descritos é a redução significativa do TNF, e o aumentou do antagonista de IL-1. Outra função anti-inflamatório da caseína seria por conta de em sua composição existir peptídeos que inibem a ação da enzima conversora de angiotensina (ECA), a ECA catalisa a formação de um potente vasoconstritor, a angiotensina II que  também é um mediador pró-inflamatório importante, essa inibição resulta na melhoria dos níveis de IL-1 e IL6.

Faz-se necessário maiores investigações sobre a relação caseína e  inflamação, porém segundo a literatura, a caseína desempenha um papel inflamatório apenas quando relacionada a alergias da proteína do leite, mas como elucidado neste texto,  tem um importante papel como anti-inflamatório na inflamação sistêmica.

Este texto foi escrito por Nathalia Ramos.

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2 comentário

Migue fontes 10 de setembro de 2015 at 18:57

Gostaria de entrar em contato para compras

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Lara Cerqueira 11 de setembro de 2015 at 12:33

Olá Miguel, agradecemos o interesse.
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