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Probióticos e saúde cerebral

Os probióticos são bactérias não-patogênicas que habitam o intestino dos humanos. São normalmente pertencentes aos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium e estima-se que cerca de 100 trilhões desses seres compõem a microbiota intestinal humana.

Sua aplicação clínica é extensa, sendo sua suplementação muito utilizada para correção de diversas enfermidades intestinais, intolerância a lactose e até mesmo para emagrecimento, porém há apenas pouco tempo os cientistas começaram a estudar as influências dessas bactérias no nosso comportamento.

As bactérias habitam os corpos de animais há milhões de anos, estabelecendo uma relação mutualística com seus hospedeiros. Essa convivência tão extensa provocou adaptações nos animais para que fossem capazes de reconhecer e permitir a colonização desses seres, e em contrapartida, as bactérias se especializaram para nos fornecer energia, imunidade e influências no nosso comportamento.

Sabe-se hoje que a microbiota intestinal libera uma série de neurotransmissores, como ácido gama aminobutírico (GABA), serotonina, acetil colina, dopamina, entre outros. Esses neurotransmissores agem diretamente no cérebro através das comunicações do nervo vago com o intestino e através do eixo Hipotalamico-ptuitário-adrenal, influenciando apetite, bem-estar, padrão de sono e etc. Cerca de 90% de toda serotonina que circula no nosso corpo é produzida pela microbiota intestinal. A serotonina é um neurotransmissor ligado a sensação de prazer e bem estar, e exerce influências na saciedade e sono. Isso demonstra a capacidade que a microbiota intestinal tem de afetar o nosso humor.

De fato, as interações entre homem e microbiota são tão complexas que acredita-se que as substâncias liberadas por ela são necessárias para o nosso desenvolvimento, que desequilíbrios causados na microbiota nos primeiros estágios de vida são responsáveis por alterações comportamentais definitivas, como o autismo e esquizofrenia, e pode implicar também em doenças degenerativas como o Parkinson.

Em um estudo avaliando as influências da microbiota nos animais, ratos da mesma espécie foram divididos em dois grupos: em um os ratos eram colonizados por bactérias especializadas da sua espécie e no outro os ratos foram concebidos de maneira estéril, livre da influência da microbiota. Foi verificado nesse estudo que os ratos que não haviam sido colonizados por sua microbiota específica, apresentava padrões comportamentais diferentes dos característicos da sua espécie, sendo mais curiosos e imprudentes, quando submetidos a situação de estresse, ficavam mais ansiosos que os normais. Curiosamente, após serem recolonizados, os ratinhos assumiam o comportamento padrão da espécie, passando mais tempo protegido da luz e menos expostos ao ambiente externo.

Em humanos há hoje diversos estudos que denotam melhora da ansiedade, redução da severidade de esquisofrenia, redução da depressão e maior capacidade de concentração de crianças autistas, apenas com a suplementação de probióticos. É visto também uma correlação entre estado psicológico do indivíduo e saúde intestinal. Em um estudo realizado com adolescentes em época de exames finais nos Estados Unidos, foi verificado uma relação direta entre estresse e desconfortos gastrointestinais, com alteração da composição da microbiota.

A suplementação com probióticos, no entanto, é algo complexo, uma vez que não pode ser estabelecida uma relação de causa-consequência como na utilização de fármacos. Isso porque a microbiota intestinal apresenta uma comunidade com mais de 160 espécies de microorganismos diferentes, em quantidades diferentes, estabelecendo uma complexa relação de coexistência. A simples inserção de maiores quantidades de uma determinada espécie pode ocasionar mudanças inesperadas no comportamento daquela comunidade, alterando as quantidades de neurotransmissores liberados e pode causar, até mesmo, reações adversas. As intervenções artificiais na microbiota devem ser analisadas individualmente e só devem ser feita por um profissional competente.

“Este texto foi escrito por Victor Neves, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.

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