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Fracionamento da dieta e emagrecimento

“Fracione sua alimentação”. Essa frase é bem comum de se ouvir nos últimos tempos. Nutricionistas, médicos e até blogueiros utilizam essa recomendação. Mesmo sendo uma indicação simples, precisa de mudança nos hábitos e por isso, muitas pessoas não conseguem segui-la. A primeira mudança, obviamente, é no estilo de vida, adotando um modo de vida mais saudável, não só para aqueles que buscam o emagrecimento, pois, com o passar dos anos a população ocidental parece estar se afastando de refeições regulares e pontuais, seja pela correria do dia a dia ou por não saber as consequências que essa irregularidade pode acarretar.
Sabemos que a obesidade representa um dos principais problemas de saúde da nossa sociedade, levando ao aumento no risco de diversas doenças. É muito mais fácil para os seres humanos ganharem peso, por conta da sua anatomia. No entanto, as reservas de gordura em excesso não exercem influência inibitória sobre o impulso biológico do apetite. Os sistemas de controle do apetite estão muito mais voltados para o armazenamento energético do que para a perda de peso. Além do fato de que o corpo humano é considerado um sistema aberto, logo, vários fatores nutricionais podem afetar o armazenamento ou dispêndio de energia.
Fracionar a dieta ao longo do dia ajuda a reduzir a fome e evita uma supercompensação nas próximas refeições. Refeições com elevados teores de gordura e carboidrato apresentam resultados inferiores, quanto a saciedade, em comparação a refeições com teores reduzidos de carboidratos e gorduras, demonstrando o quanto a alta quantidade de gordura ingerida na dieta pode dar origem ao consumo calórico excessivo. Mas, será que há diferença efetiva no emagrecimento? Estudos atuais retrataram que a intervenção alimentar irregular não conseguiu produzir quaisquer diferenças significativas no peso e gordura corporal, quando comparado com intervenção alimentar regular. Outros autores também mencionam que as evidências em relação ao impacto positivo do fracionamento dietético no emagrecimento só são notadas quando outros hábitos alimentares saudáveis são adotados, por exemplo, a restrição energética e a inclusão de alimentos saudáveis com elevado aporte de micronutrientes nas refeições.
Quando ficamos muitas horas sem comer, o cortisol é liberado com o objetivo de manter os níveis de açúcar no sangue constantes. O problema é: níveis altos de cortisol no sangue pode originar sintomas como perda de massa muscular, aumento de peso ou diminuição de testosterona. Por tais motivos, há a recomendação de se alimentar de três em três horas. Além desses fatores, é importante frisar que uma dieta rica em alimentos com alto índice glicêmico faz com que o pâncreas precise secretar doses rápidas e altas de insulina, metabolizando o alimento rapidamente, e a rápida absorção da glicose provoca uma queda acentuada do açúcar no sangue. Isso gera estímulo para o cérebro, que responde com a fome, gera um ciclo vicioso, e pode acarretar em ganho de peso. Efeito contrário é visto em alimentos com baixo índice glicêmico, fornecendo maior saciedade.
Pensando assim, intervalos menores entre as refeições favorecem o uso da proteína de maneira adequada pelo corpo, melhora a manutenção da massa muscular, produção de hormônios, sem trazer malefícios para o organismo. O fornecimento fracionado de energia ao longo do dia favorece a glicemia mais equilibrada, controla o efeito de fome excessiva e compulsões alimentares. Muitos nutricionistas também fazem a associação que, quando o corpo está nutrido e equilibrado, as pessoas tendem a realizar refeições mais saudáveis. Lembrando que jejum prolongado pode elevar os níveis de radicais livres, estes quando exacerbados, são prejudiciais ao nosso organismo, leva a perda de foco, atenção, concentração, memória e provoca alterações na permeabilidade intestinal, desequilibrando a microbiota presente em nosso intestino, essencial à nossa vida.
Apesar da base teórica aparente, os resultados de ensaios clínicos têm sido díspares a respeito do efeito vantajoso de refeições mais fracionadas sobre medidas de composição corporal. Os resultados reforçam a hipótese de que o fracionamento da dieta deve ser determinado pela preferência individual. Avaliar cada caso separadamente, observar as individualidades existentes para abordar a melhor técnica de forma específica é o melhor caminho para resultados positivos. Vale lembrar que o acompanhamento nutricional é essencial para o esclarecimento das necessidades próprias e escolha das melhores estratégias.

 

Este texto foi escrito por Raquel Coelho, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.

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