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Niacina e Fibras Musculares

A niacina, também conhecida como ácido nicotínico ou vitamina B3, é uma vitamina solúvel em água que faz parte do complexo da vitamina B e é essencial para o metabolismo dos macronutrientes. Esta vitamina é encontrada em uma variedade grande de alimentos como, leite, ovos, carnes magras, fígado, brócolis, tomate, batata doce, entre outros. Além disso, a concentração de niacina nos alimentos pode ser medida através da quantidade de triptofano contido no mesmo, já que quando ingerido o triptofano se converte à niacina. 60mg de triptofano equivale a 1mg de vitamina B3.

A sua deficiência pode trazer sérios riscos à saúde, como a pelagra. Em doses farmacológicas (2-6g/d), a niacina tem sido muito utilizada para o tratamento clínico de diferentes formas de dislipidemia, hipertrigliceridemia, mas ultimamente alguns estudos correlacionaram a atuação desta vitamina nas fibras musculares.

As fibras musculares são estruturas que estão presentes nos músculos. Existem dois tipos principais de fibras musculares, as fibras do tipo I ou também conhecidas como fibras oxidativas, que são ricas em mitocôndrias e utilizam a fosforilação oxidativa, principalmente, para a produção de energia e as fibras do tipo II ou chamadas de fibras glicolíticas, estas possuem menos mitocôndrias e em grande parte geram ATP através do metabolismo glicolítico. Notavelmente, a distribuição e a quantidade das fibras podem sofrer mudanças, dependendo de alguns fatores como o exercício, carga mecânica ou até mesmo a obesidade. Alguns autores tem sugerido que a suplementação de niacina possibilitou aumento nas fibras do tipo I em alguns animais.

Em um estudo para avaliar tal teoria, vinte e cinco suínos do sexo masculino, foram divididos para receber dieta controle ou suplementada com 750mg/kg de niacina por 3 semanas. Após o período foram analisados alguns grupamentos musculares e foi visto que houve aumento significativo no percentual de fibras musculares do tipo I associado com redução no percentual de fibras do tipo II. Em outro estudo, ovelhas foram divididas em dois protocolos de dieta contendo em uma delas, 1g de niacina, por 4 semanas. Os resultados mostraram também que houve tanto aumento no número de fibras musculares do tipo I quanto diminuição no número de fibras musculares do tipo II.

Os autores dizem que esses efeitos são provavelmente mediados pela indução de reguladores-chaves de transição das fibras, que são o  PPARô (codificado por PPARd), PGC-1α (codificado por PPARGC1A) e PGC-1β (codificado por PPARGC1B), levando à mudança fenotípica do tipo II para o tipo I, ocasionando neste caso regulação positiva dos genes envolvidos no metabolismo oxidativo.

De modo geral, ainda é muito cedo para afirmar que a suplementação desta vitamina poderá trazer tais mudanças fenotípicas. Além de escassos, os estudos encontrados na literatura foram realizados apenas em animais utilizando procedimentos metodológicos questionáveis. Neste caso, são necessários mais estudos, para comprovar a real relação entre a niacina e as fibras musculares.

Este texto foi escrito por Rafael Fildes Almeida, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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