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Taurina e contração muscular

A taurina é um aminoácido beta sulfurado presente em altas concentrações no miocárdio e músculo esquelético. É o  aminoácido livre mais abundantes no corpo humano e não é incorporado a proteína ou oxidado. Acredita-se que participe de diversas funções no organismo, como modulação da pressão osmótica, homeostase de cátions, ativação de canais iônicos, mediação proinflamatória, estabilização de proteínas, atividade antioxidante, dentre outros.

Dadas todas essas funções, a taurina é tida como um suplemento ergogênico, e está presente em diversas bebidas energéticas e suplementos alimentares, quase sempre associada a cafeína. No entanto os resultados acerca da suplementação de taurina ainda são conflitantes. Em diversos estudos em ratos, a suplementação de taurina aumentou em até 40% as concentrações no músculo esquelético, porém esses resultados não são replicados em humanos.

Alguns pesquisadores encontraram efeitos ergogênicos da taurina em estudo em humanos, mas os níveis das concentrações musculares nesses estudos não foram avaliadas. Rutherford e colaboradores falharam em encontrar melhoras na performance de ciclistas treinados após uma dose aguda de 1,66g de taurina, no entanto houve um aumento da oxidação de gordura no grupo que utilizou taurina em relação ao controle e placebo. O autor sugeriu que a taurina agiria estimulando o AMPc através da adenilato ciclase ou via aumento das catecolaminas, como previamente mostrado em estudo .

Em um estudo desenvolvido com fibras musculares, Dutka e colaboradores verificaram a importância da taurina no processo de contração muscular via controle das concentrações de cálcio no retículo sarcoplasmático. Os autores corroboraram a ideia de que a taurina estaria de fato envolvida no processo de contração, porém exposições das células à concentrações acima da fisiológica não demonstraram nenhum benefício no processo de contração. Também não verificaram nenhuma regulação da taurina após exposição dessas mesmas fibras à cafeína. Através desse estudo não foi possível explanar se a taurina é capaz de ultrapassar a membrana sarcoplasmática ou o mecanismo exato de atuação da taurina em humanos, porém foi verificado que a exposição das fibras musculares à baixas concentrações de taurina causaram problemas nas concentrações de cálcio do retículo e consequentemente dificuldades de contração muscular.

Portanto, apesar do importante papel da taurina no processo de contração muscular, não há evidências consistentes de que a suplementação aumentaria as concentrações musculares desse aminoácido, ou se tal aumento acarretaria maior efetividade da contração muscular como visto em ratos. No que diz respeito a controle de peso, a suplementação trouxe alterações significativa na oxidação de gordura de indivíduos treinados, no entanto esses resultados precisam ser replicados para que possar ser extrapolados para a população geral.

Este texto foi escrito por Victor “Chan” Neves, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido

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