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Suplementação de BCAA e sistema imunológico: devo ou não devo suplementar?

O exercício de alta intensidade, ao contrário do que muitos pensam, não é tão benéfico para o organismo. Quanto maior a intensidade do exercício, maior será a demanda do nosso corpo e maior será a necessidade de uma boa recuperação. Dentre os efeitos adversos desta atividade estão: 1) alta taxa de degradação proteica; 2) perfil pró-inflamatório; 3) dano muscular elevado, associado ao inchaço e a dor; 4) aumento do estresse oxidativo (alta produção de radicais livres) e; 5) diminuição da capacidade de defesa do sistema imunológico ou, de uma forma mais resumida, imunossupressão.

A partir dos efeitos colaterais causados pelos exercícios de alta intensidade é necessário adequada alimentação para que todos estes efeitos sejam combatidos e o atleta continue com o seu desempenho o melhor possível. Entretanto, será que apenas a alimentação conseguirá combater todos esses efeitos? Os estudos científicos mostram que não! A suplementação para indivíduos atletas de alto rendimento é essencial para que o mesmo tenha ótimo desempenho, imunidade impecável e recuperação pós-treino muito rápida e efetiva.

O sistema imunológico é didaticamente dividido em duas formas de defesa: 1) sistema imune inato: aquele sistema de defesa que já está presente no indivíduo e que possui baixa especificidade a um patógeno e baixa memória, composto por barreiras físicas (ex:pele) e os fagócitos; e o 2) sistema imune adquirido: este sistema de defesa é alterado constantemente e faz parte da segunda linha de defesa, atua após a defesa ineficaz do sistema imune inato, apresenta alta especificidade ao patógeno e alta memória celular, sendo este representado pelos linfócitos T e B, além dos fatores humorais.

Os aminoácidos de cadeia ramificada, mais conhecidos como BCAAs (Branched-chain amino acids) são representados por três aminoácidos essenciais: a leucina, a isoleucina e a valina. Os BCAAs, por serem aminoácidos essenciais, devem ser consumidos pela dieta por não serem sintetizados (ou construídos) pelo organismo humano. Entretanto, como estes BCAAs podem atuar no organismo melhorando o sistema imunológico? Será que isso é possível?

Sem dúvidas que sim! A partir do metabolismo (tanto muscular quanto hepático) dos BCAAs o corpo humano consegue sintetizar um aminoácido muito conhecido por todos, principalmente quando o assunto é imunidade, vocês sabem quem é? Exatamente… a L-glutamina. A L-glutamina é um aminoácido condicionalmente essencial, o que significa que ela é sintetizada pelo organismo humano, mas possui uma demanda muito alta em determinadas ocasiões, sendo necessário o seu consumo a partir da alimentação e/ou suplementação.

A L-glutamina irá atuar de diversas formas no sistema imunológico: 1) será utilizada como fonte energética pelos leucócitos; 2) será convertida em glutamato, que participa junto a cisteína e glicina na síntese de glutationa, um dos principais componentes anti-oxidantes não enzimático do organismo; 3) participará da síntese de NADPH, a partir do glutamato, o qual será utilizado como fonte energética pelos neutrófilos e linfócitos, além de aumentar a atividade da mitocôndria, impedindo o processo de disfunção mitocondrial; e 4) serve de fonte energética para os enterócitos, impedindo a entrada de patógenos pelo intestino, por otimizar a seletividade.

Mas Daniel, eu tenho uma dúvida…. Por que suplementar o BCAA para melhorar o sistema imunológico a partir da sua conversão em glutamina e não suplementar logo a própria glutamina? Chegamos no ponto extremamente importante. Os estudos mostram que a suplementação apenas da L-glutamina não atuaria nas nossas células de defesa/leucócitos pois ela seria utilizada como fonte energética pelos enterócitos, não permitindo a sua chegada em outros tecidos, ao contrário do que é visto quando o BCAA é consumido, pois ele será entregue ao músculo e metabolizado em glutamina, o que possibilitaria a entrega da mesma aos leucócitos. Entretanto, os estudos mostram que essa L-glutamina pode ultrapassar a barreira dos enterócitos quando associada a um outro aminoácido, conhecida como glutamina peptídeo (ex: L-alanil-L-glutamina).

Além da sua participação na síntese da L-glutamina, os estudos citam que os BCAAs atuam aumentando a expressão de genes específicos de enzimas anti-oxidantes, como a Superóxido desmutase (1 e 2), a catalase e a glutationa peroxidade 1, aumenta assim a atividade anti-oxidante do organismo e permite combate mais eficaz contra os radicais livres.

A suplementação de BCAA é extremamente importante para atletas de alto rendimento seja com o objetivo de melhorar o seu processo de recuperação ou seja por melhorar o seu sistema de defesa. Entretanto, a suplementação deve ser realizada da maneira correta para os objetivos convenientes. Procure um profissional da área de nutrição para que a sua dieta seja individualizada e adequada para você.

“Este texto foi escrito por Daniel Franco

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