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Fadiga Muscular

A fadiga é um dos tópicos mais estudados na fisiologia do exercício, no entanto, os mecanismos precisos de sua etiologia ainda carecem de explicações. A fadiga neuromuscular é definida como a incapacidade do músculo esquelético de gerar elevados níveis de força muscular, ou sustentar essa força por determinado período. O início da atividade muscular voluntária envolve muitos processos que começam com o controle cortical no cérebro e terminam com a formação da ponte cruzada nas fibras musculares, portanto, a fadiga pode ocorrer como resultado de qualquer um dos processos envolvidos na contração muscular.

Comumente o “ácido lático” ou lactato estão associados ao processo de fadiga ou exaustão muscular. Tal associação se deve ao fato de que durante atividade de alta intensidade o acúmulo de lactato no músculo e no plasma coincidem com a redução do pH muscular, o que gerou no passado a falsa afirmação de que o lactato ou “ácido lático” seriam substâncias causadoras da fadiga. Apesar de descobertas há mais de 50 anos, as funções do lactato na atividade física ainda são difundidas de forma equivocada, tanto no ambiente social quanto acadêmico.

Atualmente outros mecanismos são atribuídos à exaustão muscular, como dificuldade na liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático, elevação de metabólitos como íons de H+ e fosfato inorgânico e concentrações de K+ extracelulares, e atividade das ATPases, que são enzimas responsáveis por quebrar as moléculas de ATP e liberar energia. A fadiga muscular vai depender também do tipo de fibra muscular envolvida, duração e intensidade do exercício, do nível de treinamento do indivíduo e das condições ambientais de realização do exercício. As alterações de pH, da temperatura e do fluxo sanguíneo, o acúmulo de produtos do metabolismo celular, particularmente resultantes da hidrólise de ATP (ADP. AMP, IMP, Pi e amônia), a perda da homeostasia do Ca2+, o papel da cinética de alguns íons nos meios intracelulares (o K+, o Cl-, o Na+, o Mg2+), a lesão muscular, e o stress oxidativo são os mecanismos desencadeadores da fadiga muscular.

O mecanismo de fadiga pode ser caracterizado como um mecanismo de defesa frente ao excesso de stress a que o músculo é submetido, portanto, estudos mais recentes têm mostrado o importante papel do sistema nervoso central através de um feedback sensorial que inibe a taxa de descarga dos motoneurônios durante a fadiga.

O cálcio é o mineral mais importante para a contração muscular, logo, o desequilíbrio na sua homeostase seria o principal mecanismo responsável para instauração da fadiga. Durante atividade física de alta intensidade há uma dificuldade do retículo sarcoplasmático de liberar cálcio no interior das células musculares para que a contração ocorra. Essa dificuldade é causada por uma menor sensibilidade celular aos impulsos nervosos que acarretariam na contração. Os possíveis mecanismo geradores dessa insensibilidade são muitos, mas acredita-se que a baixa disponibilidade energética dificulte o transporte de outros íons, como sódio e potássio, atrapalhando o processo de excitabilidade da membrana.

Para evitar a fadiga, é necessário entender como ela pode ser causada e quais os principais mecanismo envolvidos dentro da atividade física que o indivíduo pratica, levando em consideração a predominância do tipo de fibra envolvida e principais metabólitos produzidos. Dentre os diversos suplementos ergogênicos que podem ser utilizados, a cafeína é um dos mais eficazes, por aumentar a liberação de cálcio pelo retículo sarcoplasmático e pelos seus efeitos estimulantes do sistema nervoso central. Porém, outros suplementos possuem o potencial de reduzir a fadiga, como a creatina, beta alanina e até repositores hidroeletrolíticos.

Este texto foi escrito por Victor Neves, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.

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