Dietas com restrição de carboidrato e lipídio

O excesso de peso corporal é um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Bilhões de indivíduos no mundo inteiro, entre adultos e crianças, estão classificados com sobrepeso ou obesidade. Caracterizada por ingestão calórica acima do gasto energético por um período prolongado, a obesidade tem sido descrita como desordem fisiológica que pode gerar complicações clínicas, psicológicas e sociais. Assim, a perda de peso é uma preocupação comum entre a população e uma das estratégias adotadas para isto é reduzir a ingestão calórica e aumentar o gasto energético a partir de prática regular de exercício físico, promovendo o balanço energético negativo, ou seja, o aumento do gasto em relação ao consumo energético.
Neste sentido, a restrição calórica de carboidratos e lipídios vem sendo empregadas em dietas “low” para a promoção da perda de peso, melhora da composição corporal e da saúde. As dietas low fat são caracterizadas pelo baixo teor calórico proveniente de gorduras na dieta, cerca de 15% a 20% da necessidade diária de ingestão de energia. Já as dietas de baixo carboidrato variam entre uma oferta de 35 a 45% da necessidade de energia diária proveniente deste macronutriente.
A gordura armazenada (intramuscular e derivada dos adipócitos) desempenha  papel cada vez mais importante durante o exercício prolongado dentro do músculo ativo para a promoção de energia. A oxidação acelerada das gorduras observada com o treinamento poupa o glicogênio, permitindo que os indivíduos treinados que se exercitem a um nível mais alto de exercício submáximo antes de sentir os efeitos fatigantes da depleção de oxigênio e portanto, a baixa disponibilidade desse macronutriente interfere diretamente no desempenho durante o exercício físico. Deve-se ainda ressaltar o papel indispensável do tecido adiposo integro na proteção mecânica e térmica do organismo. Não obstante, a redução da variedade alimentar muitas vezes associada a tais restrições é susceptível de reduzir a ingestão de uma variedade de nutrientes, tais como vitaminas lipossolúveis e ácidos graxos essenciais, especialmente ômegas 3 e 9.
A ingestão reduzida de carboidratos gera a depleção das reservas de glicogênio o que estimula a quebra das gorduras para a produção de energia e induz a síntese de glicose a partir de aminoácidos, ou seja, gligoneogênese. Este processo, porém, gera a perda de proteína, principalmente muscular e resulta em maior carga de solutos a serem eliminados pelos rins, provenientes deste catabolismo. Outro efeito da redução do consumo de carboidratos é a cetose. Os componentes do catabolismo dos carboidratos funcionam como “ativadores” da oxidação lipídica. O consumo insuficiente de carboidratos faz com que a mobilização de gordura seja maior que sua oxidação, levando a decomposição inadequada dos lipídios com acúmulo de corpos cetônicos, que em excesso elevam a acidez dos fluidos corporais de forma a produzir uma condição potencialmente prejudicial: a cetose.
As dietas restritivas tanto de carboidrato como lipídios interferem na composição corporal e são utilizadas em larga escala na promoção da perda de peso a curto prazo. Para este efeito, as dietas de low fat tem-se mostrado mais eficiente na perda de gordura corporal quando comparadas as dietas de low carb. Porém, há grande interferência delas no desempenho do praticante de atividade física e também na integridade dos tecidos e funcionamento do organismo.
Vale ressaltar que existem dificuldades encontradas durante o processo de dietas restritivas, tais como o “ciclo do peso”, mais conhecido como efeito sanfona, que é caracterizado pela perda e reganho de peso de forma contínua. Outra consequência é o efeito platô, momento no qual não há mais perda significativa de peso como no início do tratamento. Ainda, após o término do tratamento, há  necessidade de reeducação alimentar para a manutenção do peso alcançado ou até mesmo prolongamento da perda. Portanto, embora estas dietas possam ajudar as pessoas a perderem peso a curto prazo, é necessário acompanhamento profissional para estimular o indivíduo a seguir adequada dieta e prática de exercício, a fim de manter a perda de peso, qualidade de vida e saúde.

Este texto foi escrito por Juliana Miranda, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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