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Efeito EPOC e emagrecimento

Para exercer as funções vitais, o nosso corpo precisa de energia. Quando o balanço de energia não está equilibrado, pode haver maior consumo que gasto energético, resultando no acúmulo de gordura ou maior gasto energético que consumo, levando a redução das reservas corporais.

Durante um exercício extenuante, há necessidade energética aumentada para suprir o gasto energético deste momento. Diante disto, o músculo garante este aporte através da degradação de fosfocreatina (substância responsável pela produção rápida de ATP durante o exercício físico), e as reservas de glicogênio para obter tal energia.

Após o término do exercício, o organismo precisa voltar o metabolismo aos níveis basais e o oxigênio é necessário para a refosforilação dos substratos. Entretanto, o consumo de oxigênio não retorna aos valores de repouso imediatamente, continuando elevado. Essa demanda energética durante o período de recuperação após o exercício é conhecida como consumo excessivo de oxigênio após o exercício, ou seja, o efeito EPOC (excess postexercise oxygen consumption), que consiste de um componente rápido e um longo. O componente rápido ocorre em cerca de 1 hora, já durante o EPOC prolongado, as atividades de retorno à homeostase ocorrem em menores níveis, mas continuamente. Dentre estes processos estão: o Ciclo de Krebs, com maior utilização de ácidos graxos livres; efeitos de vários hormônios, como o cortisol, insulina, ACTH, hormônios da tireoide e GH; e a ressíntese de hemoglobina e mioglobina.

Estudos indicam que exercícios de maior intensidade prolongam o efeito EPOC mais do que àqueles de baixa intensidade, mesmo com longa duração. Isso ocorre porque os níveis de estresse metabólico são maiores em exercícios extenuantes, sendo necessário um gasto maior de energia para o corpo estabelecer a homeostase novamente. Além disso, a maior liberação de catecolaminas pós exercício estimula a respiração mitocondrial e função celular, facilitando a passagem de sódio e potássio pela membrana celular e com o uso do oxigênio, aumenta a produção de ATP.

Essa demanda de energia além da prevista para a atividade física provoca um balanço negativo entre gasto energético e consumo, e por isso, o EPOC tem sido utilizado junto com outras estratégias de emagrecimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o sobrepeso é um fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, mesmo na ausência de obesidade. Assim, a ideia de que o corpo continua a gastar uma quantidade significativa de energia após o exercício é atrativa para indivíduos que querem reduzir a sua gordura corporal, do ponto de vista da saúde e/ou da estética.

Este texto foi escrito por Camila Rheinschmitt, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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