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Cafeína e doenças gastrointestinais

Dentre as bebidas mais consumidas do mundo, está o café, e entre os muitos compostos bioativos presentes no café estão as metilxantinas (cafeína, teofilina) diterpenos, ácidos clorogênicos, flavonoides, ácidos hidroxicinâmico, tocoferóis e melanoidina.
Porém, o consumo de café tem sido associado com diversas doenças gastrointestinais como doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e úlcera péptica (PU) e gastrites. Na verdade, a associação não é exatamente com o café, mas sim, com uma de suas substâncias, especificamente a cafeína.
A cafeína classificada como  metilxantina (1,3,7- trimetilxantina) é uma substância lipossolúvel e aproximadamente 100% de sua ingestão oral é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal, atingindo seus níveis de pico no plasma entre 30 e 120 minutos. Atualmente é a substância mais utilizada para a termogênese e  potente estimulante do sistema nervoso central.
A cafeína pode estimular a sistema hormonal intestinal para liberar colecistoquinina (CCK) ou gastrina o qual produz uma baixa pressão no EEI (esfíncter esofágico inferior) que é responsável por controlar o refluxo de alimentos do estômago para o esôfago e qualquer disfunção nesta região, pode desencadear o DRGE.
Outra ação da cafeína seria estimular maior produção de suco gástrico que é mediada pela gastrina. Essa maior produção pode agravar casos de gastrites (inflamação da parede do estômago) e úlceras pépticas ( lesões ulcerosas na parede do estômago), visto que na maioria dessas situações é ocasionada por menor produção de muco, o qual protege a parede do estômago da acidez do suco gástrico.
Evidências apontam que o consumo de café não está relacionado com agravamento de DRGE, gastrites e úlceras pépticas. Porém, com a cafeína, estudos mostram que há diminuição da pressão do EEI, inferindo-se uma piora em quadros de DRGE. Apesar disso, não há evidências de que seu consumo pode agravar doenças gástricas. Já no caso de doenças inflamatórias intestinais, estudo demonstrou que o consumo de cafeína diminuiu a inflamação de pacientes com colite aguda.
Assim, o consumo de café segundo estudos, não está relacionado a piora de doenças gástricas. Como já mencionado, no café, há inúmeras substâncias e não somente a cafeína, e a investigação desta substância para validar seu uso na DRGE, gastrites e UP ainda são escassas e há possíveis mecanismos de ação da cafeína para o agravamento de doenças gástricas. Já nas doenças infamatórias intestinais ( doença de Cronh e retocolite ulcerativa) há fortes indícios dos benefícios do uso de cafeína pelo seu poder anti-inflamatório. Além disso, deve-se atentar a variabilidade individual de reposta ao consumo de café e/ou cafeína, se estes agravam ou não os sintomas das respectivas doenças gastrointestinais.

“Este texto foi escrito por Jaqueline Barreto, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)”

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