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Intolerância à Lactose X APLV

Considerada a vilã de muitas dietas, a lactose é sem dúvida  um tema bastante discutido hoje em dia. A Intolerância à Lactose (IL) pode surgir em qualquer faixa etária e não está associada predominantemente a qualquer grupo étnico. Segundo Jarvela et al, metade da população mundial tem hipolactasia, que seria baixa produção da enzima responsável pela degradação da lactose, chamada lactase. Por outro lado, a intolerância a lactose é comumente confundida com a Alergia a Proteína do Leite de Vaca (APLV), justamente por possuírem sintomatologias semelhantes.

A lactose é um dissacarídeo, chamado popularmente de o “açúcar do leite”, um carboidrato, composto de glicose + galactose por uma ligação glicosídica. Podendo ter até quatro classificações, a IL mais comum é a deficiência primária da lactase, conhecida como hipolactasia adulta, ou seja, baixa produção da enzima, tendo como fator predominante a hereditariedade. Outra forma de classificação é a chamada deficiência secundária de lactase, sendo ocasionada por problemas no trato gastrointestinal (TGI), mais precisamente na borda de escova do intestino, provenientes de gastroenterite, desnutrição, doença celíaca, colite ulcerativa e doença de Crohn.

A intolerância congênita à lactose, embora seja rara, é mais um tipo de intolerância. Este tipo de intolerância acomete recém-nascidos durante a primeira ou segunda ingestão de leite, no qual a lactase do bebê realizará pouca ou nenhuma atividade sobre a lactose. E por último, mas não menos importante, exista a intolerância ontogenética á lactose. Este último, atinge sobretudo crianças entre dois e cinco anos, podendo inclusive atingir indivíduos adultos.

A APLV desencadeia uma reação no sistema imunológico, proporcionando sinais e sintomas após a ingestão de leite de vaca ou seus derivados. Esta reação ocorre porque o corpo não consegue reconhecer a proteína do leite de vaca, tornando-o um corpo estranho, um antígeno. Todas as proteínas do leite de vaca (Caseína, Lactoalbumina, Lactoglobulina, Soroalbumina, Imunoglobulinas) podem ocasionar reação alérgica em indivíduos acometidos pela APLV. As crianças são as mais afetadas por esta enfermidade, sobretudo, nos primeiros meses de vida (até os 12 meses), relatos de persistência após esta idade são muito raros na literatura. Um diagnóstico preciso na infância, evitará que estes sintomas se estendam até a idade adulta.

Pelo leite ser um alimento tão consumido e trazer diferentes respostas na sua digestão, a IL e APLV podem ser consideradas de fácil diagnóstico, desde que se tenha acompanhamento médico adequado. O nutricionista exercerá papel fundamental na adequação ou substituição do leite de vaca, por alimentos que contemplem a mesma qualidade nutricional presente no leite.

Este texto foi escrito por Michel Weber, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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2 comentário

Geísa Fialho Drummond 21 de maio de 2016 at 19:09

O adulto pode ser acometido pela APLV?

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Michel 24 de maio de 2016 at 13:51

Olá Geísa, relatos de APLV em adultos são extremamente raros na literatura científica, porém, pode acontecer. Caso não ocorra um diagnóstico clínico preciso na infância, o quadro pode acabar se estendendo até a fase adulta tornando inclusive o tratamento mais difícil.

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