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Dieta Cetogênica no esporte

A redução de carboidratos na dieta é historicamente utilizada na terapia clínica para o tratamento do diabetes mesmo antes da descoberta da insulina. Muito se discute atualmente sobre a seleção dos macronutrientes nas dietas voltadas para o emagrecimento e no ambiente esportivo para otimizar a performance. Os cientistas atuais traçam uma análise evolutiva da fisiologia e anatomia e destacam que o aumento dimensional do cérebro dos hominídeos e os primatas obteve um custo metabólico, o que tornou o órgão de maior demanda energética em todo o corpo humano.
Acredita-se que o rearranjo da arquitetura dos sistemas, não se limitou apenas ao sistema nervoso central, observou-se que o trato gastrointestinal ocorreu um encolhimento na dimensão total do intestino (órgão de alta demanda metabólica), o que se acredita que o tamanho foi um fator limitante, tendo em vista que por consequência, ocorreu a maior dependência na seleção de alimentos, nutrientes e calorias em relação aos outros primatas. Quanto mais compacto o intestino, menos eficiente sua extração de energia e assim a alimentação demandam maior biodisponibilidade de alimentos.
O chamado “teto fisiológico” sobre a ingestão de proteínas, é observado em dietas que derivam de mais do que 50% das calorias de proteína magra, o que pode conduzir a um balanço negativo de energia, devido ao elevado custo metabólico de digestão de proteínas, bem como capacidade máxima fisiológica do fígado para a síntese de ureia (mecanismo de degradação).
A dieta cetogênica clássica consiste em proporção de 4: 1 de gordura e proteína, além de carboidratos limitados a 5 % do valor calórico total, ou seja, resumidamente propõe-se 80-90% de calorias totais oriundas de gorduras, essa proporção induz a um desvio metabólico permitindo a oxidação de ácido graxos e cetogênese hepática, elevando os corpos cetônicos, sendo eles o acetoacetato (AcAc) e β-hidroxibutirato (βHB) no sangue. Estima-se para este protocolo a contagem do teor de carboidratos quantificados em 20 a 50 g por dia, porém ocorrem mecanismos de respostas muito particular, que permitem grande variabilidade, com a elevação de corpos cetônicos no sangue (> 0,5 mM) ou até mesmo não ser responsivo a esta dosagem.
A fundamentação da dieta cetogênica parte da premissa que a função fisiológica da cetose é fornecer ao coração e ao sistema nervoso central(SNC) um substrato metabólico altamente energético, durante redução da disponibilidade de glicose, por este mecanismo, as cetonas permitiram aos nossos ancestrais, como citado anteriormente,  sobreviver e se manter eficiente mesmo quando privados de alimentos, neste sentido, a cetose induzida por uma dieta cetogênica pode ser definida como uma “Cetose fisiológica” , terminologia utilizada unicamente para distingui-la da cetose grave, considerada cetose patológica (ou cetoacidose) comumente visto em diabetes descontrolada.
Muitos procedimentos utilizados para a redução de peso corporal por atletas em esportes de lutas, que incluem categorias de peso, levam a uma série de efeitos secundários negativos que influenciam diretamente na eficiência fisiológica durante o desempenho desportivo. Percebe-se a prática de perder-se rapidamente uma quantidade significativa de peso, através de dietas de baixas calorias, desidratação deliberada, saunas entre outros, pouco antes do combate.

Existe uma vasta abordagem metodológica com diferentes protocolos e tipos de exercício físico, é documentado que em obesos e indivíduos não treinados submetidos a um exercício prolongado em 60% do VO2max pode ser executado na ausência de carboidratos na dieta (<10 g / d) durante 6 semanas com um surpreendente aumento no tempo de permanência na esteira. Outras evidências abordam o efeito de cetose crônica no desempenho de exercícios em atletas de resistência aeróbia, onde não houve comprometimento por até  quatro semanas de cetose. Em contraste alguns estudos trazem que a dieta cetogênica aumentou percepção reforçada de fadiga durante 90 minutos em caminhada.
Ainda que a dieta cetogênica não seja sustentada, através de evidências científicas, para o aumento da performance, deve-se levar em consideração a particularidade metabólica e como cada organismo responde a esta estratégia, que mesmo sendo delimitada por valores reduzidos e exatos de carboidratos, o potencial responsivo é singular e altamente delineado pelo potencial adaptativo de cada organismo.

Este texto foi escrito por Ivana Fiscina, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor.Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)

 

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