Sem categoria

Fosfoetanolamina: Ciência em debate

O câncer é uma enfermidade multicausal, sendo considerada a primeira causa de mortalidade no mundo. No Brasil o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) estima que ocorreram em média 596 mil novos casos de câncer ainda no ano de 2016. As células cancerígenas são muito agressivas e incontroláveis, principalmente por se dividirem e migrarem muito rapidamente.

As células cancerígenas são resistentes a morte celular programada (apoptose), que ocorre normalmente em células sadias. Essa resistência pode ser explicada pela desregulação da função da mitocondria, que é uma das organelas responsáveis pelos estímulos pró-apoptóticos. É nesta perspectiva que surgiu a utilização da fosfoetanolamina (FOSFO) no tratamento do câncer, pois ao entrar na célula cancerosa a FOSFO obriga a mitocôndria a produzir os tais sinais de destruição, reduzindo desta forma o tumor.

Mas afinal o que é a FOSFO? A FOSFO é um composto precursor da fosfatidilcolina e fosfatidiletanolamina, moléculas que são envolvidas na síntese de fosfolipídeos, principais constituintes das membranas celulares, é produzida naturalmente no corpo humano, inclusive no leite materno. Gilberto Chierice, no Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo, conseguiu sintetizar a FOSFO ao combinar duas substâncias, a monoamina e o ácido fosfórico, por meio de um método patenteado considerado de mais alta pureza, baixo custo e alto rendimento.

Chierice, deste modo passou a realizar diversos estudos que culminaram em resultados muito significativos no tratamento do câncer, indicando efeitos anti-metastático, pró-apoptótico, anti-angiogénico, anti-proliferativos, além de reduzir significativamente a massa tumoral, sem afetar as células normais. Porém os estudos em questão foram apenas realizados em modelos animais, o que torna esses resultados ainda inconclusivos para humanos. Também é importante ressaltar que o custo por capsula da FOSFO é ínfimo em relação aos medicamentos tradicionais utilizados do tratamento do câncer, aliado a comprovadamente nesses modelos não apresentar a ocorrência de efeitos colaterais,.

Em 13 de abril de 2016, a lei federal lei nº 13.269, autorizou o uso da fosfoetanolamina por pacientes com neoplasia maligna por livre escolha, desde que tenham em posse um laudo médico com o diagnóstico da doença e assinatura de termo de consentimento e responsabilidade pelo paciente ou seu representante legal. Essa lei tornou-se bastante polêmica, pois diversas entidades científicas posicionaram-se contra, principalmente alegando à falta de estudos em humanos ou pré-clinicos para a liberação, desta forma através liminar esta lei tornou-se obsoleta.

O questionamento da utilização ou não da FOSFO no tratamento do câncer, perpassa por diversos pontos de vista. Questões éticas, morais e jurídicas como o direito a vida, a autonomia e a saúde são de extrema relevância neste contexto, porém apesar de ser uma substancia promissora, ainda são necessários diversos novos estudos para comprovação de sua eficácia em humanos.

Este texto foi escrito por Nathalia Ramos, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br
Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor.
Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.