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Antioxidantes e Psoríase

A psoríase, ainda que presente há muito tempo, só foi reconhecida no século XIX pelo médico inglês Robert Willan, quem conseguiu a distinguir das outras dermatites, caracterizando-a e diferenciando-a. Essa enfermidade se configura em uma hiperproliferação de células situadas na epiderme, os queratinócitos, como consequência tem-se acúmulo celular sob a superfície da derme, e assim, o aparecimento de placas róseas ou avermelhadas, recobertas de escamas esbranquiçadas e ressecadas que se alternam em eventos agudos, entre fases de melhora e de recidiva.

De origem multifatorial, essa doença acomete cerca de 2 a 3 % da população mundial, ela pode ter início em qualquer idade, porém seu surgimento predomina entre 20 e 30 e entre 50 e 60 anos. Além disso, verifica-se uma relação diretamente proporcional entre o desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e a presença dessa dermatite. Sugere-se que essa associação ocorre segundo o fato de que, sendo a psoríase caracterizada pela presença de inflamação crônica, pacientes com esta enfermidade estão mais susceptíveis a desenvolver outros eventos de base inflamatória (e vice-versa) como a resistência insulínica, modificações no perfil lipídico, obesidade e doenças cardiovasculares. A síndrome metabólica é significativamente mais prevalente em pacientes psoriásicos, os quais apresentam mais comumente, hipertrigliceridemia e obesidade abdominal. Em síntese, a psoríase consiste em uma doença de pele, autoimune, com forte caráter inflamatório e grande presença de estresse oxidativo.

Não há cura nesses casos, entretanto, a adoção de hábitos alimentares saudáveis e uso de suplementos específicos assim como a prática de exercício físico têm sido verificadas como potentes estratégias para o tratamento da psoríase e das comorbidadades associadas e, antagonicamente, a alimentação inadequada, sedentarismo e fatores emocionais podem agir como gatilho para o surgimento da enfermidade e das DCNT a ela relacionadas.

A suplementação de ômega 3, devido ao seu potencial anti-inflamatório já é bem estabelecida, assim como a de antioxidantes, os quais reduzem a produção de espécies reativas de oxigênio (EROS), sobretudo na inflamação sistêmica, que é o caso da psoríase, dentre eles, alguns aparecem mais frequentemente em estudos, como exemplo tem-se a vitamina E, o selênio e a coenzima Q10 no estudo de Kharaeva, et al (2009) que avaliou os efeitos clínicos e bioquímicos da suplementação de coenzimaQ10, vitamina E e selênio, em pacientes sob terapia convencional, os quais foram divididos em 4 grupos: em EP1(psoríase eritrodérmica) e PsA1 (artrite psoriásica) os pacientes foram tratados com suplementação que consistiu em uma mistura de Coenzima Q10 (50mg/d), vitamina E (50mg/d) e selênio aspartato (48 mcg) em 4 cápsulas por dia durante 30-35 dias. Cada cápsula continha os antioxidantes dissolvidos em 400mg de lecitina de soja. Pacientes dos grupos EP2 e PsA2 receberam 4 cápsulas com 500mg de lecitina de soja – placebo – por dia, durante o mesmo período. O grupo suplementado apresentou melhora significativa com relação ao grupo placebo quanto a diversos parâmetros analisados, os autores concluem que a combinação da terapia convencional com a suplementação dos antioxidantes supracitados resultou em melhora das condições clínicas dos pacientes com formas graves de psoríase em paralelo com a redução do estresse oxidativo em granulócitos circulantes, plasma sanguíneo e lesões epidérmicas.

Esses achados reforçam a necessidade de um tratamento multidisciplinar para pacientes acometidos pela psoríase, e a importância do nutricionista neste processo já que o padrão alimentar se configura como potente desencadeador da doença, podendo prevenir ou promover seu surgimento, agravar ou interromper temporariamente seu desenvolvimento. Por isso, procure um profissional da área para orientações específicas.

“Este texto foi escrito por Thaíssa Silva, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)”.

2 comentário

clelia 30 de agosto de 2017 at 03:57

Ola, eu sou clelia, eu também acho isso sobre doenças de pele como exemplo a ictiose vulgar, que possuo.

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Jannine Dantas 23 de dezembro de 2017 at 10:55

Olá, Clelia!

A equipe de Nutrição fica contente pela contribuição com os seus achados e pensamentos. Estamos a disposição para maiores esclarecimentos.

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