Beta Alanina e Fadiga Muscular

Pesquisas realizadas no Brasil descrevem a expressividade no uso de suplementos nutricionais, especialmente de origem proteica dentre a população não atleta, principalmente entre o público praticante de exercícios físicos em academias. Um dos suplementos que entrou recentemente para o mercado é a β-alanina, que começa a apresentar evidências iniciais de efetividade em pesquisas científicas.

A suplementação de β-alanina, um aminoácido não essencial que não participa da síntese proteica, vem sendo muito utilizada com o objetivo de melhorar o desempenho do exercício e diminuir a fadiga muscular após a atividade, despertando cada vez mais o interesse de atletas, entusiastas do esporte e da comunidade científica esportiva.

Todavia, os possíveis benefícios ergogênicos, isto é, benefícios sobre o desempenho esportivo e recuperação pós-treino, relatados à β-alanina,  não se deve prioritariamente à sua suplementação. A visualização da β-alanina como ‘’melhorador’’ do desempenho esportivo dar-se-ia, principalmente, por tratar-se de um intermediário da produção muscular do dipeptídeo citoplasmático carnosina, resultado da condensação dos aminoácidos β-alanina e L- histidina, considerado um tampão ideal da acidez nos nossos músculos.

Análises de estudos atuais têm demonstrado que a ingestão oral crônica de β-alanina pode elevar substancialmente (até 80%), o conteúdo de carnosina no músculo esquelético humano. Do mesmo modo, torna-se claro na literatura que para promover o aumento da concentração de carnosina muscular, necessariamente, precisamos da obtenção exógena de beta alanina, seja através da dieta (carnes vermelhas, de suínos e peixes) ou da suplementação, já que produzimos quantidades ínfimas no nosso corpo e temos, naturalmente, maior disponibilidade do aminoácido L-Histidina. Em outras palavras, para formar carnosina precisamos de beta alanina e L-histidina e a beta alanina, por ser menos disponível, é o fator limitante para essa formação/concentração muscular.

O efeito da carnosina ocorre por minimizar a ação da acidose devido ao aumento no tamponamento de íons de hidrogênio mostrando-se como uma estratégia nutricional interessante para diminuição da fadiga muscular e melhora do desempenho em indivíduos que se submetem a exercícios. Principalmente exercícios, como a musculação, que recrutam prioritariamente as fibras do tipo II ou ‘’fibras glicolíticas’’, que normalmente têm baixa/moderada resistência à fadiga. Assim, é especialmente ergogênica em esforços anaeróbios intermitentes ou em esforços contínuos com duração aproximada entre 60 e 240 segundos, nos quais se observa elevada acidose muscular, apesar de ser demonstrado cientificamente que pode ser útil em exercícios que não possuem tal característica, como corridas, provas de nado de até 200m(como avaliado em estudo) e remo, por garantir uma diminuição de fadiga interessante para permitir, por exemplo, avanço de posição do atleta na prova, favorecer ultrapassagens e sprints.

Sua suplementação parece interessante em todos os públicos e em diferentes gêneros, como visualizado nos estudos que contemplaram atletas, jovens pouco treinados, homens, mulheres e idosos, por exemplo.

Quanto à efetividade e segurança, também existem demonstrações literárias quanto à sua proficiência. Um levantamento realizado em 2015 entre atletas australianos profissionais mostrou que mais de 60% deles faz uso de suplementos contendo β-alanina. O nível de evidência da ação ergogênica da β-alanina é alto, de tal modo que foi recentemente inserida no Grupo “A” da Comissão Esportiva Australiana; isto é, a β-alanina figura entre as substâncias cujo uso no meio esportivo é permitido, seguro e possui embasamento científico.

Assim, um crescente número de estudos vem confirmando que a suplementação de β-alanina é uma estrategia bastante eficiente para aumentar a capacidade tamponante e promover melhora de desempenho em exercícios de alta intensidade e curta duração para a maioria dos públicos que se submetem à prática de exercícios. A recomendação de uso gira em torno de 3-6g de beta alanina por dia, sendo 1-2g por vez. O fracionamento é indicado para evitar o efeito colateral da parestesia (formigamento da pele).

O aconselhamento nutricional é sempre sugerido em respeito às individualidades das pessoas e desenvolvimento de estratégias específicas e seguras.

Este texto foi escrito por Juliana de Andrade, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br .Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor.

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