Overtraining

É comum atletas ultrapassarem os limites de suas capacidades físicas e psicológicas, quando submetidos as exigências do esporte competitivo, e isso tem provocado sérias consequências em atletas envolvidos no treinamento de alto nível. A síndrome de Overtraining é a principal delas.

Considerada um distúrbio neuroendócrino, acarreta alterações metabólicas com consequências que abrangem não apenas o desempenho, mas também outros aspectos fisiológicos e emocionais, a síndrome de Overtraining é caracterizada pela sobrecarga de treinamento em detrimento do tempo de recuperação, que faz com que haja o surgimento de diferentes sintomas indesejáveis, sendo os principais, o acúmulo de fadiga e queda da performance por um período prolongado, evoluindo para fadiga generalizada, depressão, apatia, dores musculares e articulares, imunossupressão, infecções do trato respiratório superior e diminuição de apetite.

O primeiro estado ao qual esse desequilíbrio leva é denominado Overreaching, sendo considerado mais leve e reversível, já a recuperação de um atleta acometido pelo Overtraining pode demorar cerca de seis meses, o que pode encerrar, precocemente, carreiras consideradas promissoras.

Acredita-se que o princípio da síndrome de Overtraining esteja diretamente relacionada com estratégia de treinamento largamente utilizada pela grande maioria dos treinadores, denominada “Teoria da supercompensação”.

Essa teoria afirma que as reservas energéticas gastas durante o processo de contração muscular são refeitas ou repostas apenas no período de recuperação, ou seja, de descanso. Essa reposição, por sua vez, não é feita em proporção igual a condição anterior ao exercício, mas acima dessa condição. Neste processo, utiliza-se a estratégia de reduzir os períodos de recuperação entre uma sessão de treinamento e outra, a fim de se atingir o período de supercompensação apenas em momentos específicos, como no final de uma temporada de treinamento ou previamente a um evento competitivo específico.
Ou seja, os atletas normalmente são submetidos a cargas de esforço muito altas, com pouco tempo de recuperação, sendo impossível prever se a carga de esforço exigida da equipe está excedendo o limite individual de estresse que o organismo pode suportar. Tudo isso torna o limiar entre um treinamento ideal e o overtraining muito tênue.

Por isso torna-se necessário que se esclareçam os possíveis mecanismos responsáveis pelo desenvolvimento do overtraining. Diversas hipóteses têm sido propostas no intuito de desvendar esses mecanismos, tais como a maior ativação do sistema nervoso autônomo e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e supressão do eixo hipotálamo-hipófise gonadal, porém alguns estudos têm proposto que a modulação desses sistemas seria uma consequência da síndrome de overtraining e não necessariamente a sua causa. Desta forma, novas hipóteses relacionadas à liberação de citocinas, à fadiga central, à depleção do glicogênio muscular e hepático, e à diminuição da disponibilidade de glutamina durante a atividade física têm sido levantadas.

Há uma dificuldade de se determinar um único fator capaz de desencadear a síndrome de overtraining, uma vez que se trata de um processo multifatorial. De qualquer forma, é importante investigar constantemente a presença de sintomas de overreaching entre atletas de elite, para que possíveis medidas preventivas sejam providenciadas a fim de evitar o desenvolvimento da síndrome de overtraining.

O Overtraining é uma condição multifatorial que deve ser diagnosticada o quanto antes para evitar comprometer a saúde e a continuidade do atleta em sua prática esportiva. Para isto, faz-se necessário uma equipe multidisciplinar para adequar todas as variáveis e compreender  melhor recuperação e menor desgaste do atleta, evitando que o estado de Overtraining se torne real.

 

Este texto foi escrito por Suélika Carvalho, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.

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