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Hiperproteicos: Aplicabilidades

Na categoria de suplementos proteicos encontram-se os hiperproteicos ou blends proteicos, esses termos se referem a produtos com uma combinação de diferentes tipos de proteínas, de diferentes fontes, com características nutricionais e tempos de absorção distintos, podem conter também carboidratos, lipídios, dentre outras substâncias, a depender do produto. Geralmente, as proteínas ou aminoácidos encontrados nesses suplementos são: proteínas do soro do leite (whey protein) isoladas ou concentradas, caseína (coágulo do leite), albumina (clara do ovo), proteína isolada da soja, colágeno hidrolisado, glutamina, aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs) e proteína isolada e hidrolisada da carne.

Cada fonte de proteína possui atributos únicos que podem transmitir vantagens nutricionais específicas em comparação com as outras para ganho de massa corporal magra e melhora da recuperação muscular após o exercício, incluindo (a) capacidade de estimular a síntese de proteína muscular esquelética, que está relacionada com diferentes taxas de digestão, (b) perfis de aminoácidos variados e, (c) presença de antioxidantes que ocorrem naturalmente. Sendo assim, o intuito dos blends proteicos é oferecer um suplemento bem completo, unindo os benefícios de cada fonte proteica em um só produto.

A hipertrofia ocorre, basicamente, quando a taxa de síntese proteica muscular (anabolismo) excede a taxa de degradação (catabolismo). Proteínas com diferentes tempos de absorção afetam diferentemente as taxas de síntese e degradação proteica muscular. Ambas, proteína isolada da soja (ISP) e whey protein (WP) aumentam as taxas de síntese quando ingeridas imediatamente após o exercício, o que indica que a ISP age semelhantemente a uma proteína de rápida absorção nessa habilidade de estimular o processo de síntese proteica, no entanto é uma proteína de absorção “intermediária” e apresenta um potencial menor que a WP nesse aspecto. Muito embora as proteínas de rápida absorção possam estimular o processo de síntese, as maiores taxas de oxidação de aminoácidos associadas podem afetar negativamente a retenção de proteína ao longo do tempo. Todavia, a ingestão de caseína não aumenta a síntese, mas atenua a taxa de degradação proteica muscular. Sugere-se que a combinação de proteínas “rápidas” e “lentas” pode ser bastante favorável para criar um ambiente anabólico.

A proteína é o macronutriente mais sacietogênico. Quando ingerida previamente, a ingestão energética nas refeições subsequentes é significativamente diminuída, o que favorece à perda de peso. Os mecanismos envolvidos no poder sacietogênico da proteína são os aumentos (a) nas concentrações de hormônios da “saciedade”, (b) em gasto energético, (c) em concentrações de metabólitos, isto é, aminoácidos, e (d) do processo da gliconeogênese. Postula-se que a saciedade induzida por este macronutriente está sincronizada ou relacionada com um relativo aumento das concentrações de hormônios anorexígenos (GLP-1, CCK, PYY) ou uma diminuição em hormônios orexígenos (grelina). Vale destacar que, a WP, proteína mais encontrada nesses produtos, em suas diversas formas, é rica em cálcio (cerca de 600mg/100g). Variados estudos têm verificado uma relação entre o cálcio dietético e o acúmulo de gordura corporal. Isto porque o aumento da oferta de cálcio através da dieta diminui as concentrações dos hormônios calcitrópicos, principalmente o 1,25 hidroxicolecalciferol (1,25(OH)2D), estes em níveis aumentados estimulam a transferência de cálcio nos adipócitos o que acarreta em estímulo à lipogênese e redução da lipólise. Deste modo, a supressão dos hormônios calcitrópicos através do cálcio dietético, pode auxiliar a reduzir a deposição de gordura no tecido adiposo.

Outra situação em que esses suplementos são bastante indicados é na sarcopenia, que pode ser definida como “uma condição clínica relativa à idade, que tem como característica a perda de massa muscular, causando redução de força, da capacidade aeróbia, taxa metabólica e, consequentemente, da capacidade funcional do músculo” e dentre as causas da sarcopenia estão a deficiência proteico-calórica e o desuso, nesse sentido, pode-se pensar na suplementação de hiperproteico como estratégia interessante para sarcopênicos, além da prática de exercício físico. Ao se considerar que, comumente, idosos desenvolvem inapetência, o que torna mais difícil oferecer nutrientes em quantidades adequadas, principalmente proteína, pode-se pensar nesse suplemento como alternativa interessante para esse objetivo, de oferecer quantidades significativas de proteínas através de um único alimento de fácil ingestão e manter a aminoacidemia por um período prolongado para prevenir a degradação do tecido muscular.

Dentre as diversas utilidades desse produto está também a sua relevância no tratamento da desnutrição. No que diz respeito ao estado nutricional da população, hoje sabe-se que como consequência da transição nutricional, a taxa de desnutrição diminuiu muito e deu lugar ao sobrepeso/obesidade, no entanto, ainda nota-se um grande número de desnutridos, principalmente nos hospitais onde a desnutrição atrasa a recuperação da doença, aumenta as complicações e uso de recursos assim como a frequência de hospitalização e tempo de internação. Nesse âmbito Cawood, Elia e Stratton (2012) trouxeram, através de uma revisão sistemática envolvendo 36 ensaios randomizados e controlados além de uma série de meta-análises, que o uso de suplementos nutricionais orais ricos em proteínas demonstrou efeitos benéficos a favor dos pacientes nos grupos da suplementação, como redução das complicações, das readmissões nos hospitais, aumento da ingestão proteica e energética com melhorias no peso, dentre outros. Dessa forma os hiperproteicos estão entre os suplementos que podem promover esses benefícios clínicos.

Como visto, são inúmeras as aplicabilidades dos blends proteicos, nesse sentido, é ideal a sua utilização em determinados casos, por exemplo, para quem treina logo antes de dormir, assim passará um longo período sem se alimentar o que promoverá aumento da taxa de degradação proteica muscular, nesse sentido, o hiperproteico será muito útil, tanto estimulando a síntese quanto inibindo a degradação devido ao seu conteúdo de proteínas de “rápida” e “lenta” absorção. Dessa forma, se faz necessária a orientação de um nutricionista para indicar o suplemento proteico mais adequado de acordo com suas condições individualizadas, já que para determinadas situações uma única fonte proteica como whey protein será mais indicada.

Este texto foi escrito por Thaíssa Silva, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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