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Síndrome da Fadiga Crônica

‘’Síndrome’’ é uma palavra de origem grega que pode ser entendida como um conjunto de sintomas e sinais, cuja ocorrência simultânea indica ou caracteriza uma doença, transtorno mental ou outra condição de funcionamento anormal do organismo (Wielenska e Banaco, 2010). A fadiga, por sua vez, pode ser definida como uma sensação de cansaço generalizado ou falta de energia que não está relacionada exclusivamente à exaustão. Assim, conforme o tempo de duração e forma de apresentação sintomática ela por ser dividida em fadiga prolongada ou fadiga crônica.

A síndrome da Fadiga Crônica (SFC) ou Encefalomielite Miálgica (EM) é descrita por estudiosos como a ‘’presença de fadiga intensa, pelo período de pelo menos seis meses, com prejuízo no funcionamento escolar, ocupacional, social e pessoal, sem causa médica conhecida’’. Adicionalmente a isso, de acordo com critérios estabelecidos em 1994 por Fukuda, e revisados em 2015 pelo Instituto de Medicina – IOM, para ser classificado com a SFC o indivíduo precisa apresentar, pelo menos, quatro dos sintomas seguintes: prejuízo na memória de curto prazo e na concentração, a ponto de afetar aspectos do funcionamento global; dor de garganta; sensibilidade aumentada nos linfonodos cervicais ou na axila; dor muscular; dor em várias articulações, sem inchaço ou vermelhidão; um novo tipo, padrão ou intensidade de cefaleia; sono não reparador; mal-estar intenso e prolongado após exercício físico.

Trata-se de uma doença altamente debilitante caracterizada por fadiga intensa que não melhora com o repouso, e que é agravada pela atividade física e/ou mental. Vários sistemas do corpo, tais como o muscular e sistema nervoso são afetados em um contexto de alterações neuroimunes e inflamação crônica de baixo grau. O tempo da doença é variável e subjetivo, não há clareza em relação à fisiopatologia da Síndrome e sua etiologia é desconhecida. No entanto, sua patogênese parece ser multifatorial.

Segundo o Myalgic Encephalomyelitis Association of Ontario – MEAO, 2003 um estudo realizado em Chicago concluiu que em cada 100.000 pessoas, 522 mulheres e 291 homens têm SFC/EM.  Até então, o Brasil indispõe de dados epidemiológicos que reportem os casos da Síndrome no país.

Em relação à possibilidade de tratamentos com auxílio de suplementos alimentares, alguns estudos apontam, por exemplo, melhora da sensação de fadiga em indivíduos sindrômicos submetidos a testes de esforço após a suplementação de coenzima Q 10, um componente essencial da cadeia respiratória mitocondrial, e um forte antioxidante que confere resistência aos danos mitocondriais induzidos por estresse oxidativo e nitrosativo servindo também, como um agente antiinflamatório além de atuar na síntese se adenosina trifosfato (ATP). Falando em estresse oxidativo e nitrosativo, a ativação crônica do fator nuclear kappa beta foi suposta como um evento chave na Síndrome da Fadiga Crônica e muitas outras doenças pró-inflamatórias melhor definidas, resultando em aumento do estresse oxidativo e nitrosativo, diminuição de ATP, e inflamação crônica. Estudos sugerem que a suplementação de vitamina D teria um papel muito interessante em inibir a ativação crônica desse fator ao se ligar aos receptores de vitamina D celulares, diminuindo, assim, o desequilíbrio redox, o acúmulo de radicais livres e a inflamação.

Há ainda hipóteses do papel benéfico da suplementação de ômega 3 como um controlador da produção de mediadores inflamatórios, incluindo Fator de Necrose Tumoral (TNF) e Interleucina 1 (IL-1). Deste modo, os autores acreditam que uma dieta enriquecida com ômega 3  poderia ser uma estratégia  adequada para pacientes com a SFC. Um estudo prospectivo suplementou 38 mulheres com multivitamínicos e minerais e os efeitos foram positivos em melhorar a qualidade do sono, fadiga, frequência das dores de cabeça  além de ser percebida uma melhora significativa nos níveis de atividade de estresse oxidativo.

Visto que os níveis de glutamina são diminuídos em pacientes sindrômicos e que este aminoácido cumpre importantes papéis fisiológicos sobre o sistema imune e antioxidante, por exemplo, evidências  apontam que a  sua pode ser usada em casos de perda de memória por estresse mental e no caso de síndrome da fadiga crônica (SFC), que é um distúrbio com uma variedade de sintomas, como disfunção cognitiva e mal-estar após esforço, como supracitado.

Ao tratar da Síndrome da Fadiga Crônica, muitos impasses ainda existem na ciência. Apesar de muitas evidências científicas serem reportadas com análises sobre diversos parâmetros, fatores como dificuldade diagnóstica e terapêutica efetiva realçam a necessidade de mais estudos sobre o tema. No entanto, algumas estratégias pensadas em prol da melhora da qualidade de vida dos portadores mostram-se promissoras. Como por exemplo, as estratégias suplementares supracitadas. Vale ressaltar que A SFC é uma doença complexa e o acompanhamento com os profissionais competentes faz-se indispensável.

“Este texto foi escrito por Juliana de Andrade, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)”

 

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