Chlorella e Spirulina

A utilização de microalgas como fonte de alimento, tanto para humanos como para animais, vem se destacando por apresentar potencial fonte de proteínas, ácidos graxos insaturados, vitaminas, sais minerais, pigmentos, enzimas, antibióticos e outros metabólitos biologicamente ativos. DERNER et al (2006) apresentam em seu estudo uma atualização sobre a produção comercial das microalgas e considerações sobre o potencial de aplicação biotecnológica, sobre as principais espécies empregadas comercialmente e dos compostos de interesse industrial. Segundo os referidos autores, várias espécies são cultivadas comercialmente em alguns países e a biomassa produzida tem sido utilizada como fonte de produtos para aplicação na indústria de alimentos.

Destacadamente encontramos nesse cenário Chlorella e Spirulina que têm recebido especial atenção e despertado grande interesse de estudiosos dada a relevante composição nutricional e as já percebidas aplicabilidades terapêuticas destas.

A Chlorella sp. é uma das espécies mais produzidas  mundialmente que, além do seu perfil nutricional completo, possui propriedades desintoxicantes, imunoestimulantes e antioxidantes, e é reconhecida também por promover a renovação e reparação celular. É uma alga verde, unicelular, do grupo das clorofíceas que cresce em águas frescas, contêm altas concentrações de vitaminas, minerais, fibras, aminoácidos, enzimas e outras substâncias como açúcar, peptídeos e proteínas.  Assim como outras microalgas, a Chlorella tem a capacidade de sintetizar compostos nutracêuticos, ácidos graxos poliinsaturados e pigmentos carotenóides, que apresentam propriedades terapêuticas.

Segundo Teixeira et al. (2008 apud Merchant e Andre, 2001) todas as espécies de Chlorella apresentam boa digestibilidade em humanos. Entre elas a mais comum é a Pyrenoidosa presente na maioria dos estudos que são de origem japonesa. Um de seus principais benefícios é ser estimulante do sistema imune melhorando a proteção contra infecções e é um excelente protetor contra o câncer, por sua propriedade antioxidante, sem efeitos tóxicos reportados.

Inserindo-se a referida microalga no contexto do sobrepeso e obesidade observa-se que Chlorella não possui efeito emagrecedor, mas alguns estudos relatam que pessoas submetidas ao uso da alga durante um período de restrição alimentar, sentem diminuir a fome e perdem o desejo por refeições desnecessárias.   Provavelmente esse efeito é alcançado pelo alto teor proteico (60%) que pode parcialmente satisfazer o apetite enquanto é digerida, pois provoca a liberação de sustâncias como a CCK, que tem efeito de estimular a saciedade.  O aminoácido triptofano também pode ser considerado pelo seu papel sobre a saciedade como precursor da serotonina.

Quanto a utilização da Spirulina spp., os primeiros informes do uso na alimentação são referidos na ciência ainda na pré-história, a partir da informação de que tribos de caçadores coletavam massas gelatinosas de algas verde-azuladas e as consumiam cruas ou cozidas.

Trata-se de uma microalga com reconhecimento legal como complemento alimentar no continente europeu, no Japão e nos Estados Unidos da América, sob aval do órgão regulador Food and Drug Administration – FDA, sem toxicidade ao organismo associada ao seu consumo. Em território brasileiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) permite sua comercialização desde que o produto final no qual o microrganismo tenha sido adicionado esteja devidamente registrado.

Estudos de mais de uma década relatam características da espirulina que aludem à sua possível funcionalidade farmacológica. Belayet al (1993), em estudo entitulado ‘’ O conhecimento atual sobre os potenciais benefícios de Spirulina para saúde’’, em tradução livre, relata efeitos na estimulação do sistema imunológico e da microbiota intestinal, contra hiperlipidemia, hipercolesterolemia, tumor bucal, hipertensão, efeitos tóxicos de radiações, obesidade e diabetes, atribuindo a esta cianobactéria um conjunto de propriedades que, segundo Araújo et al (2003) dificilmente podem ser encontradas concomitantemente em um único produto natural.

Tais relatos fazem  com que seja considerável a sua aplicação não só para finalidades nutricionais  mas também para fins terapêuticos. Entre seus constituintes estão proteínas, vitaminas, minerais, proteínas de alta qualidade, antioxidantes β-caroteno e vitamina E. Podem ser encontrados ainda: a biotina, o ácido fólico, o inositol, as vitaminas B12, B6 , B3 , B2 , B1e  o ácido pantotênico, o cálcio, o fósforo, o magnésio, o ferro, o zinco, o cobre, o cromo, o manganês, o sódio e o potássio.

As evidências científicas sobre a Espirulina e a Chlorella trazem informações muito relevantes e promissoras visto à versatilidade descrita para suas utilidades como promotoras da saúde, por exemplo. Seus componentes possuem uma diversidade de atividades nutricionais e terapêuticas que fazem delas, além de excelentes suplementos alimentares, fontes potenciais para emprego na prevenção e no tratamento de várias enfermidades e problemas de saúde mundial. Contudo, é sempre recomendado o acompanhamento com profissionais competentes antes da utilização de qualquer produto/substância. Sendo assim, obtenha sempre a opinião do seu nutricionista.
Este texto foi escrito por Juliana de Andrade, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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