Glutamina e Câncer

A glutamina é o aminoácido mais abundante no corpo humano, fonte de energia, nitrogênio e de carbono, sintetizada principalmente no tecido muscular esquelético, secretada na corrente sanguínea e assim, utilizada por células dos órgãos consumidores de glutamina (intestinos, rins, fígado e sistema imunológico).

É considerada um aminoácido condicionalmente essencial, pois o corpo humano produz, mas em situações especiais com elevação do catabolismo como em cirurgias, queimaduras, exercícios físicos extenuantes e traumas, a síntese de glutamina não supre a demanda do organismo e seus níveis plasmáticos tornam-se diminuídos. A glutamina é necessária para modular as respostas dos pacientes aos estresses inflamatórios e oxidativos, além de ser essencial para o funcionamento dos neutrófilos e macrófagos (células imunes), na integridade da mucosa intestinal e como precursora da glutationa. A Glutationa é o mais potente antioxidante endógeno e protege as células dos efeitos deletérios causados pelas espécies reativas de oxigênio (ROS).

No exercício físico exaustivo são provocadas lesões musculares e posterior inflamação, além disso, a redução do ATP e glutamato inibem a glutamina sintetase, enzima chave da síntese de glutamina, o que evita a eliminação de amônia e aumentam o catabolismo proteico muscular. A produção endógena de glutamina ocorre principalmente no músculo esquelético, pulmões, fígado e cérebro e entre os maiores consumidores estão o sistema imune, rins e intestino.

O câncer é uma doença genética, a transformação de uma célula normal para uma cancerosa é mediada por mutações. Uma célula cancerosa possui seis características durante sua progressão para malignidade: replicação ilimitada, angiogênese sustentada, evasão à apoptose, auto-suficiência em sinais de crescimento, insensibilidade aos sinais de anticrescimento, invasão de tecidos, destruição imunológica e reprogramação de metabolismo energético que incluem altas necessidades de ATP, NADPH, NADH e esqueletos de carbono.

O corpo humano é formado por diversos tipos de células, unidades minúsculas que constantemente nascem, dividem-se e morrem, coordenando dessa forma todo o funcionamento dos órgãos. Fatores genéticos ou ambientais (80% dos casos; como o cigarro, exposição excessiva ao sol e má alimentação) podem gerar falha no DNA da célula. Esta passa a receber informações erradas do seu núcleo e a multiplicar-se além do normal, dando origem ao tumor. O tumor pode ser benigno quando forma uma massa semelhante ao seu tecido original, mas não evolui. Ou pode ser maligno quando as células se dividem de forma desordenada e agressiva tornando-se imortal, e podem invadir outras regiões do corpo (metástase). O tumor maligno é também conhecido como neoplasia ou câncer.

As inúmeras percepções controvérsias da suplementação de glutamina como coadjuvante ao tratamento de câncer, deve-se a importância desse aminoácido como um nutriente capaz de doar seu nitrogênio e carbono em uma matriz de vias de promoção do crescimento. No metabolismo endógeno a glutamina sofre ação constante de glutaminases (GLS). Estudos clássicos revelaram que genes envolvidos com a GLS, particularmente aqueles codificados por GLS, são expressos em tumores experimentais em ratos, onde a sua atividade enzimática correlaciona-se com a taxa de crescimento e malignidade do tumor. O silenciamento desta enzima culmina diretamente no retardamento do crescimento do tumor em vários modelos experimentais. Em alguns estudos confirmam que a suplementação de glutamina via oral resultou em menor grau de severidade de mucosite oral. Além disso, apesar da perda de peso, verificou-se bom estado nutricional geral desses pacientes.

Os autores ainda sugerem que a suplementação via oral de glutamina pode ser eficaz na manutenção da qualidade de vida durante os tratamentos quimioterápicos. Para que esta estratégia seja considerável viável, deve ser mediada pela percepção nutricional de um profissional da área. O tipo de câncer deve ser considerado, assim como o contexto de vida dos indivíduos.

Este texto foi escrito por Caique Oliveira, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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