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Probióticos e emagrecimento

Doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes melito tipo 2 (DM2), hipertensão arterial, dislipidemia e doença cardiovascular aterosclerótica, assumem importância crescente na saúde pública mundial em decorrência de suas incapacitações e mortalidade precoce. A adiposidade corporal excessiva tem papel central na gênese dessas doenças, sendo alarmante o aumento das cifras de obesidade no Brasil e no mundo. Emagrecer pode parecer um processo simples onde apenas uma restrição alimentar pode resolver o problema, porém, é um processo muito mais complexo e dependente de outros fatores.

A enorme quantidade e diversidade de microrganismos presentes no trato intestinal contribuem com diversas funções, como: função imunomoduladora, contribuindo para a maturação local e sistêmica de uma resposta imune e geração de uma imunotolerância; metabolismo de drogas; favorecimento do desenvolvimento de microvilosidades e importantes funções metabólicas. A composição da microbiota intestinal é formada principalmente por bactérias, mas também fungos, archaea e vírus, e é influenciada por diversos fatores, sendo em parte definidas geneticamente e em outra determinada por características individuais e ambientais, como modo de nascimento, idade e hábitos alimentares, o que resulta numa grande variabilidade intra e interindividual.

A obesidade está intimamente associada com um processo de inflamação crônica caracterizada por produção anormal de citocinas e ativação de uma rede de sinalização inflamatória. Além disso, a hipertrofia do tecido adiposo também acarreta em distúrbios metabólicos e hemodinâmicos que intensificam a produção dessas citocinas, agravando o processo inflamatório e que estão diretamente ligadas a gênese da resistência a insulina e aterosclerose. O aumento de bactérias gram-negativas, que possuem lipopolissacarídeos (LPS), um componente da parede celular bacteriana, promovendo dano à barreira intestinal, com aumento das concentrações de LPS plasmáticos, promovendo ativação de macrófagos, com consequente produção de citocinas inflamatórias no intestino, além de aumentar os níveis de ácidos graxos livres no fígado, tecido adiposo e muscular, com recrutamento de TNF e macrófagos produtores de citocinas pró inflamatórias.

Alguns mecanismos pelos quais a microbiota intestinal está relacionada com o risco de obesidade e doenças metabólicas são descritos a seguir. O primeiro seria o Fasting Induced Adipose Factor (FIAF), que é um inibidor da Lipase lipoproteica (LPL), produzido no fígado, intestino e tecido adiposo. Este fator, quando suprimido pela microbiota intestinal, aumenta a atividade da LPL, levando a maior absorção de ácidos graxos e acumulo de triglicerídeos nos adipócitos. O segundo mecanismo proposto é a inibição da via da 5’-monofosfato-adenosina proteína quinase (AMP-Q) enzima ativada pela adenosina monofosfato (AMP), que regula o metabolismo energético celular. Quando inibida, essa enzima ativa processos anabólicos e bloqueia catabólicos. Há evidências de que a AMP-Q desempenhe importante papel na regulação do metabolismo de ácidos graxos e da glicose, assim como na regulação do apetite.  Outro mecanismo recente, porem não menos importante, seria a influencia da microbiota no eixo cérebro-intestinal, através da influencia no Sistema Nervoso Central, influenciando apetite e saciedade.

Os suplementos probióticos têm como proposta reequilibrar a microbiota intestinal, aumentando o número de bactérias benéficas através do fornecimento dos microrganismos vivos administrados em quantidades adequadas, onde essas bactérias competem com patógenos por nutrientes e sítios de adesão na mucosa intestinal, além de aumentar a secreção de muco do epitélio intestinal do hospedeiro, o qual protege as células epiteliais intestinais de uma possível translocação de patógenos, podendo auxiliar na eliminação desses micro-organismos no TGI.

Sendo assim, a suplementação de probióticos pode promover a melhora da microbiota intestinal e como consequência, melhorar o processo de emagrecimento, uma vez que este equilíbrio leva a redução dos mecanismos pelo qual a desregulação deste sistema influenciam na gênese da obesidade. Para melhor aplicabilidade da estratégia, procure um nutricionista.

Este texto foi escrito por Nicolas Riela, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

2 comentário

Daniel Machado Moraes 7 de dezembro de 2016 at 12:30

Queria o material cientifico utilizado nesse texto. Seria possível?

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Nicolas 10 de dezembro de 2016 at 09:33

Olá Daniel, agradecemos o seu interesse. Nós podemos disponibilizar o material cientifico sim. Solicito seu endereço de email para enviar os artigos utilizados.

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