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A Tríade da Mulher Atleta

Por muito tempo a sociedade sustentou a crença de que a fisiologia feminina era inadequada à prática de esportes. Contudo, essa afirmativa foi desconsiderada com o ápice das diversas mudanças ocorridas após a Segunda Guerra Mundial, onde as mulheres foram, com maior evidência, inseridas em atividades até então pouco pensadas; dentre elas, o esporte. Em tempos atuais os reflexos dessas mudanças sócio culturais são bastante expressivos: cerca de seis milhões de mulheres atletas em todo o mundo.

Essa inserção da mulher no âmbito esportivo pode ser bastante positiva e a maioria das adolescentes e mulheres podem obter benefícios importantes em termos de saúde advindos de prática regular de exercícios sem riscos para a saúde. Como afirmou o Colégio Americano de Medicina do Esporte (1999), elas devem ser estimuladas a serem fisicamente ativas em todas as fases de suas vidas. Se ocorrerem lesões ou problemas clínicos, estes devem ser rapidamente identificados e tratados por profissionais especialistas e com experiência com mulheres fisicamente ativas.

No entanto, como em todas as questões, excessos podem ser altamente deletérios à saúde feminina podendo caracterizar o que foi denominado pela medicina do esporte como a Tríade da Mulher Atleta (TMA), uma síndrome definida pela presença de distúrbios alimentares (anorexia), amenorréia e osteoporose, em geral decorrentes da Síndrome do Supertreinamento (overtraining), e tidos como distúrbio neuroendócrino, onde atletas, geralmente de esportes que exigem baixo peso corporal e alto desempenho, como bailarinas, ginastas e atletas de saltos ornamentais, submetem-se a práticas alimentares inadequadas na tentativa (muitas vezes equivocadas) de diminuir o peso com altas privações calóricas associadas a intensos cronogramas de treinamento, gerando modificações fisiológicas sérias como desregulações hormonais resultando em consequências importantes como a amenorreia secundária (a ausência de três ou mais ciclos menstruais consecutivos após a menarca que quando associada com o exercício ou com anorexia nervosa é de origem hipotalâmica e que está associada a diminuição da densidade mineral óssea) e a osteoporose doença caracterizada por massa óssea reduzida e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, o que leva a maior fragilidade esquelética e maior risco de fraturas e que, neste caso, acontece em resposta às baixas concentrações de hormônios ovarianos em mulheres atletas amenorréicas ou oligomenorréicas; que estão associadas com redução da massa óssea e maiores taxas de perda óssea.

Interessantemente, a etiologia, a patogênese e as conseqüências dos três componentes referidos estão inter relacionados e devem ser motivo de atenção por parte de todos que participam ativamente da vida/rotina das atletas, como médicos do esporte, treinadores e familiares a fim de que juntos possam reconhecer os riscos e/ou o aparecimento de um dos componentes e sintomas associados fazendo as devidas intervenções antes que maiores agravos ocorram, como a diminuição da densidade mineral óssea, abordada hoje na literatura como pouco ou impossível de reversibilidade.

Os tratamentos ainda não são conclusivos, mas reposições hormonais e suplementação de vitamina D e cálcio já são citadas em estudos para melhorar o quadro amenorreico e o tecido ósseo, respectivamente, apesar da necessidade de mais estudos. A diminuição da rotina e intensidade de treinos também compõe as recomendações e o nutricionista tem um papel relevante no restabelecimento dietético de forma a fomentar a melhora do quadro de saúde das atletas sindrômicas com programas alimentares equilibrados e diversificados que visam, por exemplo, o ajuste do valor energético às reais necessidades diárias, evitando dietas hipocalóricas, como de costume no meio atlético em algumas modalidades, como supracitado.

 

 

“Este texto foi escrito por Juliana de Andrade, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)”

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