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Cefaleia em Salvas

A cefaleia é um sintoma subjetivo e pode ser definida, como “sensação de desconforto ou dor localizada na extremidade cefálica”.  Este quadro tem aumentado quando comparado aos grandes temas neurológicos, sendo uma das queixas mais comuns na prática clínica. Sua alta prevalência determina consequências significativas para bem-estar do indivíduo, para a produtividade e incapacidade de realizar tarefas. Não obstante, seu mecanismo fisiopatológico ainda não é completamente conhecido. A queixa de cefaleia, com certa freqüência, constitui um desafio para o médico, em virtude da diversidade dos tipos encontrados. As cefaleias podem ser classificadas de diversas formas, entre elas, segundo a sua etiologia dividindo-as em primária e secundária: primárias são as que ocorrem sem etiologia demonstrável pelos exames clínicos ou laboratoriais usuais; secundárias são as provocadas por doenças demonstráveis por tais técnicas. Nestes casos, a dor seria conseqüência de uma agressão ao organismo, de ordem geral ou neurológica.
A Cefaleia em salvas (CS) é um subtipo de cefaleia primária caracterizada por crises de dor entre 15 e 180 minutos diárias por semanas a meses, geralmente com frequência que varia de uma crise em dias alternados até oito episódios diários. São referidas, em média, três crises diárias, que tendem a ocorrer no mesmo horário, seguindo um padrão circadiano. As crises de cefaleia ocorrem em surtos ou salvas com duração de semanas a meses, geralmente intercalados por períodos de remissão superior a um mês. As crises álgicas são muito intensas, de localização orbital ou periórbital (região dos olhos), associadas à sintomatologia de disfunção autonômica (lacrimejo, infecção conjuntival, escoamento de secreção nasal, contração da pupila, queda da pálpebra, congestão nasal, edema da pálpebra e sudorese da fronte). A dor é o elemento capital do quadro clínico, sendo que, na grande maioria das vezes, trata-se de uma dor extremamente insuportável e indescritível. Destaca-se ainda a agitação ou inquietação psicomotora durante as crises. Acomete quatro homens para uma mulher e na maioria das vezes o primeiro surto ocorre entre os 20 e 30 anos de idade. Além disso, 50% a 60% das crises são freqüentemente ou exclusivamente noturnas. Apesar de sua singular apresentação clinica, a CS permanece pouco reconhecida e subdiagnosticada.
A característica clínica mais marcante da CS é a sua periodicidade, muito bem definida, com ritmo circadiano e circanual. O início do período de salva está relacionado com a duração do fotoperíodo. Este ritmo com horário é relacionado ao relógio biológico mediado pelo hipotálamo que regula os sistemas endócrinos através da modulação rítmica e fásica dos hormônios hipofisárias e da melatonina, de modo a manter a homeostase. As crises são mais freqüentes e ocorrem em torno de 90 minutos após o paciente adormecer, estando assim associados ao início do sono REM. Deste modo, muitos dos acometidos pela CS tentam prolongar ao máximo seu tempo de vigília (acordados), pois a privação do sono encurta o tempo de latência do sono REM e, quando a sonolência chegar, o paciente entra mais precocemente nesta fase do sono, consequentemente, o ataque terá menor duração e gera menor sofrimento.
O estudo do sono nos pacientes com CS registram que as crises são deflagradas pelos baixos níveis de oxigênio no sangue e que o tratamento através de pressão positiva contínua de vias aéreas com oxigênio pode interromper a salva. Existem outros deflagradores, como o álcool, a histamina, vasodilatadores, mudanças climáticas, apnéia do sono, alteração da pressão atmosférica e, para não deixar de ser, assim como na migrânea (enxaqueca) e na cefaléia tensional, o estresse emocional.
Estudos têm mostrado alterações hormonais em pacientes sálvicos como níveis basais de cortisol elevados, diminuição da melatonina, diminuição de testosterona, dentre outras, assim, sugere-se a utilização de suplementos que regulem a produção dos mesmos e estratégias que visem melhorar a qualidade de sono como complementares e auxiliares aos tratamentos convencionais já utilizados. Além disso, evitar o uso de vasodilatadores, haja vista que seja um deflagrador do processo doloroso em pacientes acometidos com Cefaleia em Salvas. Devido à limitação do entendimento sobre a fisiopatologia associada são necessários mais estudos para permitir diagnostico, tratamento e profilaxia adequados e menos sofrimento aos pacientes sálvicos.

“Este texto foi escrito por Maiara Guimarães, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)”

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