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Suplementação no autismo

O autismo, também conhecido como transtorno do espectro autista (TEA), é um transtorno de início precoce marcado por atrasos e desvios de desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas, cognitivas e de capacidade de adaptação.
As causas do desenvolvimento desse transtorno envolvem diversos fatores, especialmente genéticos. Diversas alterações genéticas têm sido associadas à predisposição do desenvolvimento do autismo e alguns autores têm sugerido a contribuição de mais de 90% da herdabilidade. Desregulações imunológicas, estresse oxidativo ou metabolismo antioxidante prejudicado, medicamentos utilizados e outros fatores ambientais também são estudados como possíveis causas do TEA.
O estado nutricional do indivíduo autista, quando não acompanhado, pode estar em risco devido aos hábitos alimentares incomuns, alta seletividade alimentar, sintomas gastrointestinais e alergias alimentares frequentes e aos efeitos dos fármacos utilizados sobre o trato gastrointestinal. Nesse contexto, existem diversos estudos em nutrição para o tratamento do autismo diante da importância do manejo nutricional e utilização de alguns suplementos.
A vitamina D tem apresentado grande eficiência para melhora dos sintomas centrais do TEA, provavelmente devido à ativação da transcrição do gene THP2 (triptofano hidroxilase 2) para a síntese do receptor cerebral de serotonina. A serotonina é um neurotransmissor muito importante em diversas funções do organismo, como cognição, humor, apetite e regulação de sono. Além disso, a vitamina D também apresenta ação anti-inflamatória, melhora do sistema imune (SI) e da glutationa, poderoso antioxidante. Estudo placebo controlado, randomizado, com 120 pacientes autistas e utilização de 300UI/kg de peso ao dia de vitamina D verificou melhora em todos os sintomas centrais do TEA.
Os probióticos, organismos vivos com ação na melhora da saúde intestinal, têm sido avaliados como importante ferramenta para aperfeiçoamento da função neuronal devido à melhora da permeabilidade intestinal e do SI, além de ação anti-inflamatória. Entretanto, os mecanismos de ação dos probióticos para atenuação dos sintomas do TEA não são totalmente elucidados, necessitando de mais estudos na área. Um estudo de caso de uma criança autista de 12 anos verificou melhora na severidade dos sintomas abdominais e também dos sintomas centrais do transtorno com a administração de probiótico com cepas de Bifidobacteria, Lactobacillus e Streptococcus.
Um dos sintomas mais frequentes do paciente autista é a desregulação do sono, e algumas evidências têm indicado a ocorrência de algum tipo de alteração genética que prejudicaria a produção de melatonina, hormônio responsável pelo controle do sono. Estudo placebo controlado realizado com autistas utilizou 3mg de melatonina trinta minutos antes de dormir por duas semanas e observou maior tempo de sono do que entre os pacientes que receberam o placebo.
Além dos suplementos citados, outros nutrientes estudados no tratamento do TEA são o ômega 3 e a glutationa. Ômega 3 são ácidos graxos (AG) essenciais poliinsaturados formados por ácido linolêico (ALA), ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosa-hexaenoico (DHA). Esses AG são cruciais para o desenvolvimento cerebral, especialmente o DHA, para melhora da função neural e consequentemente da cognição. Quanto à glutationa, esta é uma pequena proteína formada por glicina, cisteína e ácido glutâmico e que tem ação antioxidante e capacidade de regeneração de outros antioxidantes, como vitamina E e C, além da melhora do SI. Contudo, não há consenso entre os estudos sobre eficácia do uso desses suplementos.
O autismo é um transtorno de caráter extremamente multifatorial e como tal deve ser analisado sob diversos aspectos e precisa levar em consideração a opinião da equipe clínica multiprofissional e da família do paciente. Além disso, são necessários mais estudos bem elaborados e conclusivos quanto ao manejo nutricional e uso de suplementação para o tratamento desse transtorno.

Esse texto foi escrito por Laís Barreto Vieira, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado por ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeito nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor.
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