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Estresse Nitrosativo em Atletas

Ultimamente, observa-se que existe um enfoque cada vez maior acerca dos radicais livres e seus possíveis efeitos no organismo humano. Os radicais livres são moléculas  produzidas naturalmente no organismo e desempenham funções interessantes, como ação no sistema imune, combate a agentes estressores, na sinalização e biogênese de células. Sabe-se que o excesso de radicais livres associado às falhas nos mecanismos antioxidantes demonstram relação com diversos efeitos negativos, como envelhecimento precoce e aumento da susceptibilidade a inflamação, além de estarem relacionados a etiologia de diversas doenças como as cardiopatias e o câncer, uma vez que esses radicais possuem um elétron desemparelhado na sua orbita atômica, o que confere uma alta reatividade e instabilidade a estas moléculas.

As espécies reativas de oxigênio (ERO), são radicais livres, oriundos, principalmente, do metabolismo energético a nível celular (respiração celular), onde existe consumo e redução de O², embora também ocorram durante ação catalítica de enzimas e exposição a fatores exógenos como fumo, etilismo e uso de fármacos. As principais especies reativas formadas são : ânion superóxido (O2-), peróxido de hidrogênio (H2O2), radical hidroxila (OH) e oxigênio singlete (1 O2).

Alem das EROs, o corpo também produz espécies reativas de nitrogênio (ERN), onde se destacam: óxido nítrico (NO), ânion peroxinitrito (ONOO-) e o dióxido nítrico (NO2). O oxido nítrico é uma pequena molécula produzida na maioria dos tecidos humanos através da oxido nítrico sintetase, e que desempenha inúmeras funções no organismo, incluindo ação na neurotransmissão, regulação da pressão sanguínea, mecanismos de defesa, relaxamento da musculatura lisa e regulação imune.

Uma das principais rotas de degradação do oxido nítrico é a sua reação com o superóxido, em uma reação rápida, onde na presença de O2-, o oxido nítrico forma um intermediário altamente reativo de nitrogênio, chamado peroxinitrito (ONOO-). O peroxinitrito, por sua vez, reage com as proteínas para formar nitrotirosina (3-NT). Tanto o peroxinitrito, quanto a nitrotirosina, são considerados marcadores inflamatórios e de estresse nitrosativo, se apresentando elevados em doenças como psoríase e lúpus eritematoso sistêmico. Esta relação se dá pelo fato de algumas células do sistema imune, em especial as que praticam fagocitose, aumentarem a produção de oxido nítrico e superóxido, para formar peroxinitrito e matar bactérias endocitadas.

A pratica de exercícios físicos trás inúmeros benefícios a saúde humana. Porem, atletas de alto rendimento, em especial os das atividades de endurance, devido a predominância do sistema energético com alto consumo de oxigênio, produzem alta quantidade de  radicais livres. Quando praticado em condições ótimas, o exercício também aumenta a capacidade antioxidante do atleta. No entanto, quando existe falha no sistema de defesa ou quando a produção de radicais livres supera os limites fisiológicos, ocorre o desbalanço, denominado estresse oxidativo/nitrosativo, afetando diretamente o rendimento do atleta.

O estresse oxidativo/nitrosativo causa inúmeras complicações no atleta, como degradação das macromoléculas, danos na estrutura das células e no DNA, o que acarreta em queda de imunidade, degradação do tecido muscular e fadiga. A inativação do oxido nítrico através da reação com o superóxido, diminui o suprimento de oxigênio para os tecidos, o que também acarreta em queda do desempenho no atleta. Além disso, o processo de contração e relaxamento muscular também aumenta a produção de EROs/ERN, que desempenham papel na captação de glicose e sinalização de cálcio. Quando ocorre o estresse oxidativo/nitrosativo, estes processos ficam prejudicados. O consumo proteico exacerbado tem sido questionado diante de tal contexto do atleta, mas ainda não há evidência que sustente qualquer posicionamento.

Por tudo isso, vale a pena traçar estrategias visando a redução dos radicais, através da utilização de nutrientes que funcionem como antioxidantes ou que promovam melhora da sistema de defesa endógeno para combate a essas especies reativas. Dentre as substâncias que podemos utilizar para auxiliar neste cenário, destacam-se a Coezima Q10, vitaminas C e E, fitoquímicos antioxidantes, assim como a glutamina.

Este texto foi escrito por Nicolas Riela, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)

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