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Intolerância a Lactose

Antes de falar sobre a intolerância a lactose (IL), o importante é saber que intolerância é diferente de alergia, enquanto a alergia alimentar ocorre devido a resposta do sistema imunológico ao alimento ou substancia, a intolerância ocorre por má digestão ou falta da enzima que realiza o processo de “quebra” da substancia especifica.

A lactose é um carboidrato (açúcar) encontrado no leite. Formado pelos monossacarídeos glicose e galactose. E o que seria então a intolerância a lactose? Ela é definida por erros de metabolização, pela falta de produção da enzima lactase. Na maioria das pessoas, essa enzima diminui com o passar dos anos, o que dificulta a metabolização da lactase.

A Intolerância a Lactose pode ser classificada em primária, secundária, congênita e ontogênica. A deficiência primária da lactase se caracteriza por uma alteração no gene que codifica a lactase e sua manifestação é decorrente de fatores hereditários. A deficiência secundária da lactase é causada por alteração na borda de escova do intestino, provocadas por doenças como gastroenterite, desnutrição, doença celíaca, colite ulcerativa, doença de Crohn, etc.

A intolerância congênita à lactose, manifesta-se no recém-nascido logo após as primeiras ingestões de leite, na qual ocorre a ausência total ou parcial da atividade da lactase. A IL congênita é herdada, é autossômica recessiva, sendo uma condição extremamente grave. Caso não seja diagnosticada precocemente pode levar a óbito. O recém-nascido apresenta diarreia líquida ao ser amamentado ou quando recebe fórmulas contendo lactose. A intolerância ontogenética à lactose se caracteriza como mau absorvedor da lactose, por volta dos dois aos cinco anos de idade, ou em alguns casos, na vida adulta.

Existe uma grande variabilidade de sintomas entre os pacientes com intolerância à lactose. Os mais comuns são: dor abdominal, sensação de inchaço no abdome, flatulência, diarreia, borborigmos e, particularmente nos jovens, vômitos. A dor abdominal pode ser em cólica e frequentemente é localizada na região periumbilical ou quadrante inferior.

O diagnostico é feito através de dois tipos de exames: curva glicêmica (o paciente ingere de 25g a 50g de lactose e se avalia os sintomas por duas a três horas por meio de análises clínicas e pela curva glicêmica); teste respiratório do hidrogênio expirado (o exame se baseia na produção de hidrogênio pela fermentação da lactose não absorvida), o hidrogênio entra na corrente sanguínea e é expirado pelo pulmão, o paciente sopra um aparelho especifico, ingere a lactose, e depois sopra novamente (após 60, 90, 120, 150 e 180 minutos).

O tratamento da IL consiste na retirada temporária do leite e produtos lácteos da dieta para se obter remissão dos sintomas. A exclusão total e definitiva da lactose da dieta deve ser evitada, pois pode acarretar prejuízo nutricional de cálcio, fósforo e vitaminas, podendo estar associada com diminuição da densidade mineral óssea e fraturas. Além disto, a maioria das pessoas intolerantes à lactose pode ingerir 12 g / dia de lactose (equivalente a um copo de leite) sem apresentar sintomas adversos.

Outra alternativa é a terapia de reposição enzimática com lactase exógena (β-galactosidase), obtida de leveduras ou fungos, constitui uma possível estratégia para a deficiência primária de lactose. Suplementos comerciais contendo lactase, quando adicionados a alimentos que contenham lactose ou ingeridos em refeições com lactose, são capazes de reduzir os sintomas e os valores de hidrogênio expirado em muitos indivíduos intolerantes à lactose.

O individuo com intolerância deve ter sempre o cuidado com o consumo de alimento lácteos, respeitando os limites do seu corpo de “quebrar” e digerir a lactose, outra alternativa é optar positivamente pela suplementação da lactase, todavia, com cautela devido a falta de uma exatidão da proporção de quantidade de lactase para a quantidade de lactose. O acompanhamento nutricional é fundamental para melhor adequar as estratégias aqui descritas.

Este texto foi escrito por Dilson Araujo, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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