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Ornitina e Aplicabilidades

A ornitina é um aminoácido presente em algumas categorias de suplementos como: pré treinos e estimulantes de GH. Comumente é dito que tal componente está presente para inibir a conversão da arginina em ornitina. Porém, será que este também não tem papel individual relevante no campo da nutrição esportiva? Vamos descobrir.
L-ornitina é um aminoácido não essencial que não participa da síntese proteica,  o organismo sintetiza a partir de outros aminoácidos (como através do metabolismo da L-arginina), está presente na maioria dos tecidos de mamíferos, incluindo o fígado, no qual desempenha papel central no ciclo da ureia. Alguns alimentos, tais como soja e produtos lácteos são boas fontes deste aminoácido.
A partir da ornitina se tem as poliaminas, moléculas importantes no crescimento e proliferação celular, na síntese de proteínas e ácidos nucleicos. Quanto as funções, atua como hepatoprotetor (evitando danos ao fígado), participa na formação de citrulina (com efeito vasodilatador), também consegue estimular a produção (na glândula pituitária) do hormônio do crescimento, o qual incrementa a massa muscular e diminui a percentual de gordura.
Como referido inicialmente neste texto, a ornitina é essencial no ciclo da ureia, o qual tem por finalidade eliminar o nitrogênio proveniente principalmente do metabolismo proteico (aminoácidos) que em excesso gera amônia. Tal substância é tóxica ao nosso organismo, possui alto Pka, o que pode alcalinizar o sangue inativando enzimas, é altamente osmótica (atrai água), causando edema e quando elevada causa fadiga e redução de desempenho no exercício.
Neste contexto, Surgino e colaboradores (2008) suplementaram ornitina em voluntários com protocolo de exercício aeróbico e obteve supressão do aumento dos níveis de amônia e consequentemente houve redução da percepção de fadiga e aumento do tempo de exaustão. Também se observou a ornitina evitando a depleção de BCAA muscular, fato positivo para atenuação e retardo da fadiga.
Estudos trazem que a suplementação de ornitina foi favorável ao aumento da síntese proteica e apresentou-se significativamente superior quando comparada a caseína e arginina neste contexto.
Por fim, Matsuo (2014) demostrou a ornitina com capacidade de alterar o relógio circadiano, o que induziu alta secreção de GH, elevação rápida da secreção de melatonina e aumento dos níveis de atividade. Ainda sobre este aspecto hormonal, outros autores verificaram os efeitos da ornitina em indivíduos treinados com exercício resistido quanto ao aumento de GH e IGF-1(fator de crescimento semelhante a insulina). Este último é regulado positivamente pela secreção de GH e também está relacionado a modificação corporal. Possui capacidade de estimular mTOR, principal via de sinalização para síntese proteica e hipertrofia muscular. O mecanismo de ação discutido é a inibição da somatostatina, que inibe liberação de GH.

Destarte, a literatura apresenta a ornitina, individualmente ou em conjunto com aminoácidos, promissor e bastante relevante. Contudo são necessários mais estudos para aplicabilidade segura e eficiente deste aminoácido.
Este texto foi escrito por Silvia Andrade, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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