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Ômega 3 e depressão

A depressão é uma doença que atinge milhares de pessoas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 350 milhões de indivíduos em todo o mundo sejam afetados por essa doença e relata este transtorno como o principal contribuinte para a carga global de doenças, tornando um grave problema de saúde pública, pois este quadro leva ao isolamento social, incapacidade laboral, aumento dos custos com saúde, perda da qualidade de vida e ainda ao suicídio. A depressão é um transtorno psiquiátrico multicausal e sua fisiopatologia ainda não é bem definida, podendo ser expressa de diferentes formas em cada indivíduo. Existem diversos tratamentos farmacológicos disponíveis, contudo a maioria dos pacientes deprimidos não consegue reverter o quadro de todos os sintomas. Nesse sentido, tem-se estudado novas terapias antidepressivas, como por exemplo a suplementação de Ômega 3 no sentido de prevenção ou redução dos agravos.

Os ácidos graxos ômega 3 são poliinsaturados e podem ter origem vegetal, representado pelo ácido – alfalinolênico (ALA), ou origem animal,  ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosa-hexaenoico (DHA), sendo que estes últimos possuem maior biodisponibilidade. A relação entre ômega 3 e depressão começou a ser mais investigada quando observou-se que a deficiência de DHA está associada a disfunções na estabilidade da membrana neuronal, neuroplasticidade e transmissão de serotonina, norepinefrina e dopamina, que podem estar relacionadas com a etiologia da doença.

Sociedades com alto consumo de ômega 3 têm menor prevalência de depressão, além disso pessoas com depressão mais grave têm níveis de ômega 3 inferiores a  pessoas com depressão mais leve, logo existe uma correlação negativa significativa entre esses níveis e a gravidade dos sintomas depressivos.

Na depressão os ácidos graxos ômega 3 agiriam no controle da neurotransmissão e na resposta antinflamatória. Visto que, neste quadro, o ômega 3 encontra-se deficiente, essa deficiência nas membranas celulares cerebrais leva diminuição da atividade enzimática cerebral prejudicando a liberação de neurotransmissores. Com o consumo de Ômega 3 ocorrerá o aumento da fluidez da membrana celular, da síntese dos neurotransmissores e a melhora da transmissão dos sinais.  Além disso, há uma maior liberação de citocinas inflamatórias na circulação durante a depressão, como por exemplo: IL-6,   IL-1 e IFN-γ e, o Ômega 3 possui atividade antinflamatória, diminuindo a liberação dessas citocinas e diminuindo os sintomas depressivos.

Vários mecanismos são sugeridos para explicar a relação do consumo de Ômega 3 e distúrbios psiquiátricos, como a depressão, incluindo: Alterações da função da membrana; estabilização do humor; aumento da expressão de BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), proteína envolvida na neuroproteção, arborização dendrítica, plasticidade sináptica e neurodesenvolvimento; Melhoria e alteração da inflamação. O ácido docosa-hexaenóico (DHA) quando incorporado às membranas celulares neuronais, pode levar a uma melhor ligação de neurotransmissores aos seus receptores. O ácido eicosapentaenóico (EPA), parece aumentar o suprimento de oxigênio e glicose cerebral e proteger contra o estresse oxidativo, além de ter atividade antinflamatória.

A deficiência de ômega 3 tem sido estudada como uma das possíveis causas, ou possível consequência do estado depressivo, o que se sabe é que tanto por suas ações diretas sobre as estruturas cerebrais e sua característica antinflamatória, a suplementação de Ômega 3 é uma estratégia positiva para melhora dos sintomas depressivos e diversos estudos tem encontrado resultados positivos na regressão dos sintomas da depressão com a utilização desse ácido graxo, e estes trabalhos tem demonstrado que para esse efeito é necessário 1g de ácido eicosapentaenoico (EPA) ao dia.

 

Esse texto foi escrito por Vitória Melo, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado por ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeito nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor.
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