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Os perigos da utilização de edulcorantes artificiais

A incidência de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis, em especial de Diabetes Mellitus tipo II vem crescendo em todo o mundo, como consequência dos hábitos alimentares e de vida, prática de atividades físicas e o envelhecimento. O diabetes tem como agravamentos à saúde a retinopatia, nefropatia, neuropatia e doenças cardiovasculares. O controle glicêmico é fundamental no controle da doença, que incluem o monitoramento no consumo de carboidratos, índice glicêmico e carga glicêmica. A utilização de adoçantes não nutritivos é uma alternativa para o controle glicêmico.

Os adoçantes não nutritivos são aditivos alimentares que fornecem um sabor doce aos alimentos, mas têm pouca ou nenhuma caloria, sendo uma alternativa para redução da ingestão de energia e carga glicêmica. Alguns exemplos de adoçantes são sucralose, sacarina, aspartame, acessulfame de potássio.

A percepção de sabores ocorre na língua, distinguindo doce, amargo, salgado, azedo, e umami por meio de receptores específicos; os receptores de sabor doce, no entanto não se limitam a presença na língua, mas são encontrados no trato gastrointestinal e pâncreas e tais receptores podem se ligar a açúcares calóricos, proteínas doces (taumatina) e edulcorantes não nutritivos ou artificiais. Os edulcorantes promovem a secreção de incretinas intestinais e posterior secreção de insulina. Além disso, receptores de sabor em células enteroendócrinas aumentam a absorção de glicose intestinal.

Alguns autores sugerem que os edulcorantes artificiais levariam ao aumento da secreção de incretinas intestinais, o que por sua vez aumentaria a secreção de insulina, diminuiria a glicose no sangue, aumentaria o apetite e induziria ganho de peso; além disso, o uso destes edulcorantes poderiam induzir a hipersecreção pancreática nas células β, levando à resistência à insulina hepática e ao aumento da acumulação de gordura, componentes-chave da obesidade e do tipo Diabetes Mellitus do tipo II.

Alguns adoçantes artificiais como a sucralose e a sacarina têm ação bacteriostática e ocasionam desregulação da microbiota intestinal, levando principalmente a diminuição de bactérias benéficas. A microbiota intestinal saudável desempenha funções importantes, tais como a fermentação de carboidratos resistentes com formação concomitante de ácidos graxos de cadeia curta, síntese de vitaminas (por exemplo, B e K), modulação de respostas imunes, regulação do desenvolvimento intestinal pós-natal, degradação de agentes patogênicos, absorção de cálcio e magnésio, etc. Além de estar envolvida diretamente com a composição corporal, sendo assim um risco a utilização de componentes que a desregulem.

Outro fator a ser considerado é a contaminação do leite materno por edulcorantes não nutritivos, estudos recentes observaram presença de sucralose, acessulfame K e sacarina o que pode trazer efeitos deletérios, pois as crianças têm uma menor taxa de depuração renal e menor peso corporal, logo os edulcorantes podem extrapolar os níveis de ingestão diária, além disso, sabe-se que na infância se estabelece os padrões alimentares da vida adulta, desta forma, a maior doçura do leite materno pode predispor a um padrão alimentar rico em açúcares e acarretar doenças metabólicas.

Os edulcorantes são alternativas interessantes para reduzir à ingestão calórica, no que diz respeito aos carboidratos como a sacarose, no entanto é importante salientar que o uso contínuo destes pode acarretar em diversos efeitos colaterais, tais como danos hepáticos, resistência a insulina e desregulação da microbiota intestinal que é um fator causal de inúmeras disfunções metabólicas. Hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividades físicas constituem a melhor maneira para prevenção de doenças e promoção da saúde, dentre outras funções irão diminuir a suscetibilidade a doenças e aumentará a resposta a estressores metabólicos.

Este texto foi escrito por Ismael Oliveira, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida, entre em contato conosco pelo e-mail nutrição@sncsalvador.com.br. Respeito nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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2 comentário

Débora 16 de março de 2017 at 09:17

Obrigada pela contribuição. E gostaria de saber qual o adoçante menos agressivo? tem alguma indicação?

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Ismael 16 de março de 2017 at 22:51

Olá Débora,a Stevia é um adoçante natural com glicosídeos de esteviol que são substâncias que atrelam sabor doce ao extrato desta planta e é opção mais segura a ser utilizada, além disso, alguns estudos observaram outros benefícios da Stevia além da doçura, como atividades antihiperglicêmicas e antioxidantes.

Obrigado!

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