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Dieta Paleolítica para o esporte

O período Paleolítico, ou antiga idade da pedra, teve início há cerca 2,5 milhões de anos e teve continuidade até 10.000 anos atrás, quando o período Neolítico teve início, marcado pelo advento da agricultura e domesticação de animais. Estudos arqueológicos sugerem que, naquela época, a alimentação era baseada em elevada quantidade de proteínas através de carnes selvagens, peixes e mariscos, frutas, vegetais e oleaginosas, com exceção dos alimentos derivados da agricultura e pecuária, como cereais, produtos lácteos, legumes feculentos, açúcar e sal. Desse modo, a dieta era caracterizada pela alta ingestão de proteínas, lipídios insaturados, especialmente o ômega 3, potássio, vitaminas, minerais, fitonutrientes, fibras e antioxidantes. Por essas razões e pela grande divulgação dos possíveis efeitos desse tipo de dieta para a saúde geral e desempenho atlético, muitas pessoas têm aderido a dieta paleolítica, em especial os atletas e praticantes de atividade física.
A dieta Paleolítica tem conquistado diversos seguidores no meio esportivo, especialmente após o chamado Paleo Movement a partir das publicações de Loren Cordain, cientista americano especialista no estudo da evolução da dieta e doenças humanas. Segundo ele, a dieta paleolítica é capaz de promover perda de peso e otimizar o desempenho esportivo. As principais razões elencadas por Cordain para esses efeitos estão relacionadas à elevada oferta de aminoácidos de cadeia ramificada (ACR ou BCAA, do inglês Branched-chain amino acids), de nutrientes-traço importantes, como vitaminas, minerais e fitoquímicos que melhoram a função do sistema imunológico do atleta, e à presença de alimentos que promovam a alcalinização sanguínea, diferindo da dieta típica americana, potencialmente ácida.
No entanto, poucos são os estudos, princiapalmente experimentais, disponíveis sobre a relação da adoção da dieta paleolítica e melhora de rendimento e desempenho de atletas. Um dos poucos trabalhos de revisão disponíveis avaliou os possíveis efeitos da dieta paleolítica em praticantes de Crossfit, tipo de programa de treinamento de alta intensidade, e foi concluído que não há justificativas atuais que favoreçam sua utilização, principalmente pela restrição de alimentos como cereais e lácteos que promoveriam déficit de carboidratos e micronutrientes. De fato, a utilização da dieta paleolítica apresenta algumas limitações, como déficit de cálcio e vitamina D observado em estudos, menor palatabilidade quanto comparada a outras dietas, e pouca disponibilidade atual de carnes de caça e peixes ricos em ômega 3.
Desse modo, a adoção da paleolítica deve ser acompanhada de grande cautela, especialmente em atletas, visto a necessidade de mais estudos abrangentes e conclusivos para melhor entendimento dos efeitos desse tipo de dieta para o rendimento esportivo nos seus variados tipos de treinamento.

Este texto foi escrito por Laís Barreto Vieira, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida, entre em contato conosco pelo e-mail nutrição@sncsalvador.com.br. Respeito nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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