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Óleo de coco e suas aplicabilidades

O óleo de coco é um óleo vegetal que deriva do coco fresco da planta conhecida popularmente de Coqueiro (Cocos nucifera L.). É extraído a partir da prensagem da polpa ou do cerne de coco, em condições com ou sem aquecimento suave e na ausência de solvente de extração ou de tratamento químico. A polpa do fruto pode ser submetida ao processo de secagem (sob exposição a luz solar ou em equipamentos específicos) e prensado de forma mecânica, até a obtenção do óleo. Logo após essas etapas, o produto sofre processos de refinamento, descoloração e desodorização (refinação, branqueamento e desodorização-RBD), durante os quais o óleo é submetido a elevadas temperaturas e purificação com solventes químicos. Como produto final, tem-se o óleo de coco refinado ou copra. Em virtude do aquecimento, alguns compostos benéficos, como os tocoferóis, tocotrienóis, polifenóis e outros antioxidante podem estar em quantidades significativamente reduzidas, se comparado ao óleo de coco virgem.

Esse óleo vegetal possui grandes quantidades de ácidos graxos de cadeia média (cerca de 70-80%), sendo ácidos graxos saturados e ácidos graxos insaturados (menos de 20%). Por apresentar em sua composição quase 50% de ácido láurico, o óleo de coco é bastante resistente a oxidação não enzimática. Por possuir uma alta concentração de ácidos graxos de cadeia média (TCM), o óleo de coco tem sua absorção diferente das outras fontes de gordura. Esses ácidos graxos são facilmente absorvidos e decompostos pelas enzimas quase imediatamente na saliva e nos sucos gástricos, de modo que enzimas de digestão de gordura pancreáticas não sejam essenciais, deste modo, exigem menos esforço do pâncreas e do sistema digestivo. Após serem absorvidos pelo intestino, são enviados diretamente para o fígado onde são, na sua maior parte, utilizados como fonte de energia sem a necessidade do complexo enzimático carnitina palmitoiltransferase-1 (CPT-1), específica para penetrar as membranas da mitocôndria para sua posterior oxidação. Os ácidos graxos de cadeia média tornam o processo de produção de energia muito mais rápido que as gorduras saturadas de cadeia longa, podendo ser uma explicação para sua ação emagrecedora, uma ação secundária a oxidação hepática desses ácidos graxos, aumentando a termogênese que eleva o gasto energético total. No entanto, essa correlação não é evidenciada.

Outra característica atrelada ao consumo do óleo de coco seria sua ação antioxidante devido à presença de tocoferóis, tocotrienóis, polifenóis e outros antioxidantes em sua composição.

O óleo de coco virgem possui grande poder de versatilidade, como por exemplo, o seu uso em meio de cozimento e também como propriedades farmacoterapêuticas limitadas, das quais estão ganhando popularidade na sociedade moderna. Contudo, é necessário mais investigação para fornecer provas conclusivas sobre as suas aplicações clínicas. Até esse momento, é importante aderir às diretrizes dietéticas que recomendam quantidades moderadas de gorduras saudáveis em nossa dieta diária. Segundo posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) sobre o uso do óleo de coco para perda de peso, não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de coco leve à perda de peso.

Este  texto foi escrito por Caique Oliveira, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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