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Hipertrofia Muscular

A hipertrofia muscular esquelética é conhecida pelo aumento da área de secção transversa do músculo esquelético a partir da biossíntese de novas estruturas envolvidas na contração muscular, sendo uma das principais adaptações geradas no músculo em decorrência do treinamento físico.

O aumento na tensão muscular (força) é a exigência primária para dar inicio ao crescimento do músculo esquelético. O tamanho do músculo aumenta devido à maior síntese protéica como uma resposta adaptativa biológica relacionada ao aumento da carga de trabalho no treinamento resistido em homens e mulheres, independente da idade.

O processo de hipertrofia está relacionado diretamente à síntese de componentes celulares, particularmente de filamentos protéicos que constituem os elementos contráteis. Esse crescimento pode envolver a lesão real e repetida das fibras musculares (especialmente com as contrações excêntricas) seguida por uma supercompensação da síntese protéica, resultando no efeito anabólico global.

Como as fibras musculares não proliferam, a única maneira de aumentar o tecido muscular é elevando a espessura das mesmas, isso ocorre com o surgimento de novas miofibrilas. De modo geral, o estresse mecânico causado pelo exercício intenso ativa a expressão do RNA mensageiro (RNAm) e conseqüentemente a síntese protéica muscular. As proteínas, estruturas contráteis do músculo, principalmente actina e miosina, são necessárias para que as fibras musculares produzam mais miofibrilas.

A célula muscular é multinucleada, mas esses núcleos não proliferam, fazendo-se necessária a fusão de núcleos provenientes das células satélites com a fibra muscular. As células satélites localizam-se entre a lâmina basal e o sarcolema (membrana) das fibras musculares e possuem o mesmo tamanho de um núcleo da célula muscular. Estas células são células-tronco, estruturas de reserva não funcionais e especializadas, se encontram normalmente em estado quiescente e desempenham um papel importante na regeneração do músculo. As células satélites possuem um núcleo que pode proliferar em resposta às microlesões causadas pelo exercício intenso no músculo esquelético. Estas microlesões atraem as células satélites que se fundem e dividem o seu núcleo com a fibra muscular, dando o suporte necessário para a síntese de novas proteínas contráteis. Como o número de núcleos novos é maior do que o necessário para preencher o espaço deixado pelas microlesões, a fibra muscular produz um número maior de miofibrilas, resultando na hipertrofia muscular.

O elevado grau de microlesões, a ação de hormônios como a testosterona, insulina, GH (hormônio de crescimento), IGF1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1), MGF (fator de crescimento mecânico) e agentes do sistema imunológico como fator de crescimento endotelial, fator de crescimento de hepatócitos, interleucina 6, entre outros, desencadeiam o processo de ativação, diferenciação e proliferação das células satélites.

O complexo processo de adaptação induzido pelo exercício envolve mecanismos específicos de sinalização, transcrição de DNA, uma subseqüente tradução do código genético em uma série de aminoácidos para criar novas proteínas. A sobrecarga mecânica leva a eventos intracelulares que regulam a expressão gênica e síntese protéica, podendo alterar a atividade de aproximadamente 70 genes. Além disso, o controle hormonal (testosterona, insulina, GH, IGF1, MGF) é importante para ativar a síntese de proteínas em duas fases: síntese e processamento de RNA (Transcrição, que ocorre no núcleo da célula pelo aumento da expressão dos genes) e síntese, processamento e regulação protéicos (Tradução, que ocorre no citoplasma) e ainda promover o transporte de proteínas para dentro da fibra muscular.

Uma das principais vias de sinalização para síntese de proteínas é a clássica via da AKT. A proteína AKT ou serina/treonina quinase ou ainda PKB (proteína quinase B) exerce um papel fundamental na sinalização intracelular para síntese de proteínas. A via AKT/mTOR é ativada através de estímulos diversos como hormônios, citocinas, fatores eucarióticos, entre outros. Quando ativada, a AKT poderá tanto inibir vias de degradação protéica (regula a transcrição gênica através da inativação de fatores de transcrição) como ativar vias de sinalização para síntese de proteínas.  A sua sinalização para síntese de proteínas ocorre com a ativação da enzima mTOR, responsável por controlar o crescimento celular. O mTOR estimula a síntese protéica principalmente por meio de quatro proteínas regulatórias chaves: a proteína 1 ligante do fator de iniciação eucariótico 4E (4E-BP1); o fator de iniciação eucariótico 4G (eIF4G); o fator de iniciação eucariótico 2B (eIF2B); e a proteína quinase ribossomal S6 de 70 kDA (p70S6k). A ativação/inativação desses fatores, que por sua vez, são responsáveis pela ativação de uma cascata com vários outros reguladores-chave, gera eventos como iniciação, processamento e alongamento da cadeia de proteínas durante a síntese proteica ribossomal.

A leucinemia (concentração de leucina na corrente sanguínea) após a ingestão de proteína é um determinante mais provável para aumento da proteína muscular já que atua como um estimulador de mTOR. Diversos estudos têm recomendado a utilização de Wheyprotein para facilitar a hipertrofia muscular, visto que a proteína do soro do leite é a mais rica em leucina. Além disso, estudos demonstram que a suplementação dos ácidos graxos ômega 3 (EPA e DHA) são capazes de  mediar parcialmente o aumento da sinalização e ativação do mTOR/p70s6k. No entanto, resultados observados discutem que ômega 3 isoladamente não é suficiente para provocar um efeito anabólico, mas que eles requerem estímulos anabólicos adicionais como aminoácidos que aumentam seu efeito anabólico aumentando a ativação dessa via de sinalização.

Por fim, entende-se que a hipertrofia muscular é uma resposta fisiológica e metabólica caracterizada pelo aumento do volume dos músculos decorrentes de estímulos gerados pelo exercício físico. Esse aumento na massa muscular requer ativação das células satélites e uma maior quantidade de síntese proteica junto a um catabolismo proteico reduzido.  A síntese ocorre pela ativação da mammalian target of rapamycin (mTOR) e de suas proteínas sinalizadoras, e é necessária uma dieta adequada, principalmente ricos em proteína, para possibilitar a construção do músculo. Além disso, é fundamental manter níveis adequados dos hormonais anabólicos para estimular a síntese de proteínas musculares.

Este texto foi escrito por Maiara Guimarães, integrante da equipe de Nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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